Eduardo Paes se reúne com governador nesta noite para discutir medidas de prevenção à Covid-19

O Globo
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RIO — O prefeito do Rio Eduardo Paes se reúne na noite desta quarta-feira com o governador em exercício Claudio Castro para debater as medidas de prevenção contra a Covid-19 na cidade do Rio. Há uma semana, após o encontro entre os dois e com técnicos da área de saúde, o prefeito decretou regras de restrição em toda a cidade, como o fechamento de bares às 17h e a proibição da permanência nas ruas durante a madrugada. O decreto, entretanto, tem validade até às 23h e 59 minutos desta quinta-feira.

Nesta quarta-feira, 90% das 569 vagas de UTI para tratar pacientes com casos graves de coronavírus na cidade do Rio estavam ocupadas. Em todo o estado do Rio, 73,4% dos leitos de terapia intensivas estão com pacientes.

Mais cedo, em uma coletiva de imprensa, o secretário estadual de Saúde do Rio, Carlos Alberto Chaves, revelou que uma de suas ideias para tentar conter o avanço da Covid-19 no Rio consiste em barrar a entrada de turistas no estado. Ele citou as praias lotadas na capital ao questionar se esse é o momento para receber visitantes, e disse que junto com seu corpo técnico avaliará, até sexta-feira, se levará esta proposta ao governador em exercício, Cláudio Castro. Além disso, durante a coletiva de imprensa na sede da pasta, no Centro, ele anunciou também que, por conta da pressão sobre o sistema de saúde notado esta semana, foram abertos 83 novos leitos de UTI para Covid-19 em hospitais de Niterói, Maricá e Volta Redonda, que fazem parte da regulação estadual.

— Essa semana, acompanhando a taxa de ocupação e tempo de permanência dos leitos no estado, notamos que a lotação foi acima dos 70%, diferente da semana passada, quando ficou em torno de 60%, oscilando. Não vamos deixar chegar a 90%, que é correria, então, fomos atrás de leitos — disse.

De acordo com Chaves, são 40 leitos de UTI abertos no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, em Maricá, 20 leitos no Hospital Oceânico, em Niterói, sendo 10 de UTI, e 33 no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda. Os leitos nos dois primeiros hospitais já estão operacionais. No Zilda Arns, são 19 leitos clínicos que serão transformados em vagas para terapia intensiva, além de 14 novos, que, ativados progressivamente, devem estar funcionando plenamente em dez dias.

Pressão por leitos é resultado do carnaval

O corpo técnico da secretaria acredita que a pressão maior sobre os leitos tem relação direta ainda com a semana do feriado do carnaval. Questionado sobre medidas restritivas que poderiam ser impostas pelo governo aos municípios, o secretário reforçou que as cidades tem autonomia para decidir suas regras conta a pandemia. No entanto, criticou a situação das aglomerações nas praias da capital, que inclusive vem observando, e deixou no ar que estuda, e pode acabar levando ao governador em exercício, Cláudio Castro, a ideia de fechar o Rio para os turistas.

— Pela própria lei, os municípios decidem o que vão fazer: podem fechar fronteira, fazer lockdown, o que eles quiserem. Nós temos que fazer uma coisa abalizada. Nós estamos conversando direto, com todos os 92 municípios, sobre todos os problemas de cada um deles. Mas o que não podemos é entrar com uma decisão pesada dentro do município. Isso é uma decisão do governo. Nós somos assessoria técnica. Por exemplo, opinião minha, eu vejo as praias cheias de turistas... é hora de turismo aqui? É hora de samba na praia? – questionou.

As medidas de restrição na cidade do Rio:

O horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares de forma presencial fica restrito das 6h às 17h, com lotação limitada a 40% da capacidade. A norma vale para serviços de rua e shoppings;Outras atividades comerciais com atendimento presencial podem abrir de 6h às 20h com capacidade limitada a 40%;As restrições não se aplicam a serviços de saúde, farmácias, postos de combustíveis, cadeia de abastecimento e logística, transportes, entrega em domicílio e trabalhadores de atividades que não podem ser paralisadas;Entre 23h e 5h, será proibido permanecer em ruas, espaços públicos e praças – a circulação será permitida;Estão proibidos o funcionamento de qualquer atividade comercial e de prestação de serviços nas praias, incluindo o comércio ambulante e os quiosques;Eventos, festas e rodas de samba também estão proibidos;Não podem funcionar boates, casas de espetáculo, feiras especiais, feiras de ambulantes e feirartes (artesanato);Cinemas podem funcionar com capacidade limitada a 40%;O decreto estabelece ainda que as autoridades podem determinar a interdição imediata de estabelecimentos. Pessoas físicas podem ser multadas em R$ 566,42. A fiscalização será da Seop, Guarda Municipal e Vigilância Sanitaria;

Perguntado, então, se a decisão de evitar a entrada de turistas não poderia partir do próprio governo do estado, ele disse que o assunto será tratado em mesa.

— Nós estamos conversando essa semana com o governo do estado, porque o mapa epidemiológico vai ser lançado na sexta-feira à noite, então vamos conversar sobre isso durante a semana, avaliando todas as estatísticas, para conversarmos entre nós e levarmos ao governador a nossa opinião – explicou. — Não é uma ideia minha, nós estamos observando. Nós estudamos tudo. Eu não sou o dono da verdade, há vários posicionamentos a serem dados, uns mais drásticos, outros mais leves, mas tudo será colocado tecnicamente.

Chaves também foi questionado sobre a possibilidade de abertura de hospitais de campanha, que ele negou de cara, e disse que não quer ser mais um secretário de Saúde preso.

– Nós não vamos botar doente em contêiner. Nós não vamos abrir hospital de campanha. Ponto. Eu já fechei quando cheguei aqui. Não quero ser o quinto ou sexto secretário de Saúde na cadeia. Eu mesmo coloquei alguns deles nela. Eu não, o Ministério Público. Então, quero deixar bem claro que eu não vou mudar meu ritmo de vida.