Eduardo Paes venceu em todas as regiões do Rio no primeiro turno das eleições

João Paulo Saconi, Felipe Grinberg e Rafael Galdo
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Foto: Guito Moreto / Extra

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Foto: Guito Moreto / Extra

No primeiro turno, de acordo com os votos apurados por zona eleitoral, Eduardo Paes venceu em todas as áreas administrativas do Rio. Mas, na Zona Sul, sua adversária no 2º turno seria Benedita da Silva (PT, com 15,85% dos votos válidos); e na Grande Tijuca ele enfrentaria Martha Rocha (PDT, com 15,06%). Nessas duas áreas, onde estão alguns dos bairros com maior renda da cidade, Crivella foi o quarto colocado.

O atual prefeito, que se manteve no páreo para 29 de novembro, teve seu melhor desempenho na parte da Zona Oeste com piores indicadores sociais, que corresponde à área de planejamento (AP) 5 — que inclui bairros como Bangu e Campo Grande —, onde alcançou 27,69%. Mesmo ali, houve variações significativas.

Das 15 zonas eleitorais da AP 5, onde está pouco mais de um quarto do eleitorado carioca, Crivella venceu em quatro, todas entre Campo Grande, Bangu e seu entorno. Já nos bairros mais distantes do Centro e que concentram algumas das comunidades mais carentes do Rio, entre Santa Cruz e Guaratiba, esse resultado não se repetiu e é onde estão cinco das zonas eleitorais em que o atual prefeito teve anteontem votação mais de 10 pontos percentuais inferior à que obteve no 1º turno de 2016. Entre elas, está a 25ª, que compreende parte de Santa Cruz, Sepetiba, Pedra de Guaratiba e Guaratiba. Esses são alguns dos bairros que mais sofrem com problemas nos sistemas públicos de transporte e saúde.

Na Zona Oeste como um todo, Crivella teve 47,7 mil votos a menos em comparação com o 1º turno de 2016.

Campanha sem trégua

Não teve trégua. A campanha para o 2º turno no Rio começou cedo ontem com troca de acusações entre o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). Numa corrida para tirar uma diferença de 400 mil votos, Crivella partiu logo para o ataque. Afirmou que candidatos ligados à chapa de Paes fizeram boca de urna no domingo e foram pagos com dinheiro não declarado à Justiça. Em resposta, Paes disse que seu adversário mantém “delinquentes” na equipe.

— Qual é a mensagem para os evangélicos? Não roubarás. Não estou falando do Eduardo, mas do governo. Foi o governo mais corrupto de nossa história — disse Crivella. — Fizeram uma imensa boca de urna com uma centena de candidatos da chapa do Eduardo Paes. Denúncias enormes na internet desse maldito esquema. São recursos não contabilizados que são pulverizados na mão de candidatos em notas de R$ 50 e R$ 100.

O contra-ataque de Paes mirou no coordenador da campanha de Crivella, o ex-deputado Rodrigo Bethlem, que foi seu secretário. Bethlem já foi acusado de desviar recursos do município por meio de ONGs na administração do ex-prefeito.

— Tem uma diferença básica entre mim e Crivella. Toda vez que alguém que esteja próximo a mim é descoberto com algum tipo de desvio, o que faço? Afasto. O coordenador de campanha do Crivella, Rodrigo Bethlem, quando confessou que era um delinquente que estava cometendo desvios na prefeitura, eu o botei para longe de mim. O que ele virou do Crivella? Coordenador e porta-voz da campanha. Ele traz um sujeito confesso e criminoso pra perto dele. Eu botei pra longe — afirmou Paes.

O ex-prefeito citou o empresário Rafael Alves, apontado pelo MP como operador de um “QG da Propina” na atual gestão municipal. Sem cargo no governo, Alves operava, segundo o MP, um balcão de negócios para liberar verbas a empresas mediante pagamento de propina.

— Pergunta pra ele (Crivella) sobre esse Rafael Alves para ver se ele fala algo desse delinquente? Não fala nada. Deve manter perto por medo — disse Paes.

Bethlem afirmou que, há cinco anos, Paes lhe pediu desculpas e que, recentemente, tentou uma reconciliação. Já Rafael Alves não se manifestou.

Os dois candidatos à prefeitura passaram o dia de ontem traçando novas estratégias para conquistar a vitória. Crivella deve ainda nortear a campanha com temas ligados ao público conservador, com apoio do presidente Jair Bolsonaro. Paes conquistou 37,01% dos votos válidos, e Crivella, 21,9%. O ex-prefeito venceu em 44 das 49 zonas eleitorais da cidade.