Negacionistas da vacina, bolsonaristas se elegeram com boa votação para a Câmara

Ex-ministro da Saúde, Pazuello foi eleito Deputado Federal pelo Rio de Janeiro; Outros bolsonaristas de primeira ordem tiveram votações expressivas pelo país - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Ex-ministro da Saúde, Pazuello foi eleito Deputado Federal pelo Rio de Janeiro; Outros bolsonaristas de primeira ordem tiveram votações expressivas pelo país - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Foram eleitos pela população brasileira neste domingo (2), alguns candidatos identificados com o negacionismo científico durante a pandemia do novo coronavírus, entre eles estão dois ex-ministros bolsonaristas.

No entanto, também asseguraram o mandato parlamentares que atuaram na CPI da Covid no Senado.

Disputou uma vaga na câmara, o ex-ministro da saúde, general Eduardo Pazuello (PL), investigado por má gestão. Ele foi o segundo deputado federal mais votado no Rio.

Pazuello recebeu 205 mil votos. Oficial da reserva do Exército, ele foi indiciado na CPI da Covid e virou alvo de investigação do Ministério Público. Pazuello é acusado de ter atrasado a negociação da compra de vacinas. Ele nega.

Por outro lado, o também ex-ministro da saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), demitido por divergir de ordens de Bolsonaro contra o isolamento social, perdeu a disputa do Senado em Mato Grosso do Sul. Mandetta, ex-deputado federal, concorreu ao Senado e ficou em segundo, sendo derrotado pela ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP), apoiada por Bolsonaro.

Outro ex-ministro do governo Bolsonaro a sair vitorioso na disputa, foi Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania, que errou seguidas previsões sobre a evolução da pandemia no País. Com 103 mil votos, ele foi reeleito deputado federal.

Médico, ele aconselhava o presidente da república e defendia tratamento ineficaz, além disso, posicionou-se contra medidas de isolamento social, a favor da suposta imunidade de rebanho e se equivocou ao cravar o encerramento precoce da pandemia e um número de óbitos que seria menor que o da H1N1.

Outra aliada do governo Bolsonaro que não conseguiu se eleger, foi a candidata a deputada no Ceará, Mayra Pinheiro (PL), conhecida como “capitã cloroquina” durante a pandemia. Mayra ocupou cargo de secretária no Ministério da Saúde e era defensora do uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da covid-19.

Dois integrantes da CPI saíram vitoriosos das urnas.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD) do Amazonas foi reconduzido ao cargo. Na Bahia, o senador Otto Alencar (PSD) também se reelegeu. Os dois tiveram atuação destacada na comissão.

O representante do estado amazonense, comandou os trabalhos sem dar trégua às cobranças ao governo de Bolsonaro. Alencar, por sua vez, costumava enfrentar representantes governistas na comissão e também os integrantes do Ministério da Saúde que eram chamados a depor. Médico, Alencar questionava o discurso do governo de incentivar o uso da cloroquina como tratamento.