Educação e transtornos mentais são temas de série gravada em Copacabana

A “Sala 101” é onde tudo acontece. E é também o título da série em oito episódios que está sendo gravada em Copacabana e fala sobre educação e transtornos mentais. Segundo a diretora, Rayssa de Castro, moradora do bairro, a obra está sendo negociada com plataformas de streaming e com uma emissora de TV aberta, para estrear no segundo semestre do ano que vem.

Produtora da obra ao lado de Claudia Mello, ela conta que a ideia é falar sobre a luta pela educação num país onde professores trabalham mesmo sem receber, por amor à profissão e aos alunos. E também alertar para a importância do cuidado com pessoas autistas.

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— Dou aula de teatro e tive um aluno com autismo. Percebi o quanto pessoas autistas são especiais, precisam de cuidados, não têm controle sobre as emoções. Quero chamar a atenção para a importância do respeito a elas. E mostrar o lado da criança, que sofre preconceito, e que a consequência do abandono pode ser trágica — diz Rayssa, que cedeu sua casa, na Avenida Princesa Isabel, para gravação de parte das cenas.

A série conta a história de Davi (Lucas Tors), de 18 anos, que perde a fala na infância após ser abusado pelo padrasto. Abandonado pela mãe, que também tem doença mental, ele descobre na escola que é autista e vira vítima de bullying dos colegas.

— Ele tem pavor do padrasto e não é cuidado pela mãe. Chega na escola e não encontra amparo. Acaba tendo um acesso de raiva e atira nos colegas. É uma tragédia anunciada — diz a diretora.

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O elenco é formado por 80 pessoas, 20 % delas não atores, que tiveram a primeira chance na profissão oferecida por Rayssa:

— São idosos que sonhavam ser atores, mas achavam que eram velhos demais. Mas para ser ator não tem limite de idade. Os sonhos não envelhecem.

Uma delas é Magnólia Braga, de 69 anos, para quem Rayssa “é uma mãe”.

— Ela me deu uma oportunidade ímpar. Tirou de mim o que não sabia que tinha, sou grata — afirma.