Como educação sexual pode ajudar a diminuir casos de abuso sexual na infância e adolescência

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Kindergarten teacher walking with kids. Positive young woman leading happy kids by hands outdoors. Vector illustration for pedagogy, preschool, primary school, education concept
Kindergarten teacher walking with kids. Positive young woman leading happy kids by hands outdoors. Vector illustration for pedagogy, preschool, primary school, education concept

Não é de hoje que existe o debate sobre educação sexual para crianças em idade escolar. Esse tema se tornou ainda mais polêmico durante a corrida eleitoral de 2018, com o suposto "kit gay". Mas você sabe o que é educação sexual?

Para começar, é preciso dizer que educação sexual não corresponde a ensinar crianças a fazerem sexo. Muito pelo contrário! 

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Essa confusão geralmente acontece porque muitas pessoas não sabem que sexualidade é muito pais do que genitais e penetração. Ela tem a ver com identidade, afeto, desejo, cidadania, a forma como cada um se relaciona consigo mesmo e com os outros. Ou seja, todo ser humano nasce e morre sexual, independente de ter feito sexo em vida ou não. Por isso, educação sexual se torna fundamental e indispensável.

Para se ter uma noção, países como Holanda e Canadá começam a educação sexual com crianças ainda no jardim de infância e não fazem nenhuma referência explícita a sexo. Entenda como isso é possível:

Conteúdo e linguagem adequados

Emotion emoticons used by a psychologist during a therapy session with a child with an autism spectrum disorder.
Criança e professora na escola. Foto: Getty Images

Para falar sobre sexualidade com crianças não é necessário falar sobre sexo, contanto que o conteúdo e a linguagem usados sejam adequados. Os tópicos abordados vão sendo desenvolvidos de acordo com o desenvolvimento da própria criança, e nenhum deles envolvem falar sobre sexo oral, anal ou coisas parecidas.

Por exemplo: aos quatro anos, a criança aprende o que é amor e como esse sentimento pode ser manifestado através de um abraço, um beijo no rosto ou um carinho. Ela também aprende a diferenciar o que é gostar de alguém como amigo de gostar como namorado e como é o corpo humano.

Lá pelos sete anos, eles ouvem dos professores que existem diferentes tipos de famílias, como aquelas com pais separados, com filhos adotados e daí por diante. 

Aos oito, as crianças aprendem sobre autoimagem e autoestima: algumas pessoas são altas e outras são baixas, algumas têm cabelo liso e outras, cacheado. E esteriótipos de gêneros, como meninas podem jogar bola e meninos podem chorar. 

Crianças mais velhas aprendem sobre menstruação e mudanças do corpo na puberdade, como pelos pubianos e crescimento. 

E, entre os pontos mais importantes, a criança aprende sobre consentimento. Ela é ensinada que é dona do próprio corpo; que as partes íntimas só podem ser tocadas por adultos em momentos de higiene como banho, para que ela entenda a diferença de cuidado e proteção para abuso; e que ela sempre terá o direito de dizer não.

Abuso sexual X educação sexual

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Abuso sexual X educação sexual. Foto: Getty Images

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou 159 mil denúncias pelo Disque Direitos Humanos ao longo de 2019. Destes, 86,8 mil se tratavam de de violações de direitos de crianças ou adolescentes e 17 mil ocorrências eram sobre casos de violência sexual.

Antes disso, entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes, de acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Os números mostraram que os agressores da maioria das ocorrências, tanto com crianças quanto com adolescentes, eram pessoas do convívio das vítimas, geralmente familiares. Ou seja, os abusos sexuais acontecem, na maioria das vezes, dentro da casa da vítima, cometido por pessoas próximas. 

Além disso, o perfil do agressor também é diferente do que se pode imaginar. Nos casos envolvendo adolescentes, em 92,4% das notificações o agressor era do sexo masculino. Nos casos envolvendo crianças, em 81,6%.

Agora, o que a educação sexual propõe é que todas as crianças tenham acesso a ensinamentos sobre consentimento. Assim, se a criança em uma situação de vulnerabilidade sexual tenha tido aulas na escola aulas sobre o assunto, poderá identificar um abuso e estará apta a denunciar o caso ou pedir ajuda a pessoas de confiança. 

Para que serve educação sexual

A educação sexual serve para, como abordado anteriormente, protejer contra violência, mas também contra uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), quando fala contra métodos contraceptivos e camisinhas.

Mas ainda, educação sexual pode diminuir os índices de bullying e de suicídio entre os jovens, porque ela aborda orientação sexual e o respeito à diversidade. 

A verdade é que seu filho provavelmente vai transar em algum momento, e isso está fora do seu controle, e ele vai aprender sobre sexo na internet e outros lugares inadequados. Não seria melhor que ele aprendesse em um ambiente controlado por professores e orientadores, dentro de um espaço de segurança?  

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