Efetividade da Coronavac varia de 28% a 62% entre maiores de 70, diz pesquisa

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-01-2021: Doses da Coronavac. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-01-2021: Doses da Coronavac. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um estudo feito pelo Vebra Covid-19, que reúne cientistas de instituições nacionais e internacionais, mostrou que a Coronavac se mostrou 42% efetiva em prevenir adoecimento por Covid-19 em pessoas maiores de 70 anos depois de 14 dias da segunda dose.

É uma efetividade menor do que a eficácia global encontrada nos estudos clínicos realizados pelo Instituto Butantan no Brasil, de 50,7%.

Quando dividido por faixa etária dentro do grupo, a efetividade foi ainda menor entre os que têm mais de 80 anos, 28% depois da aplicação da segunda dose.

Entre os que têm de 75 a 79 anos, ela foi de 49%. E entre os que têm de 70 a 74 anos, de 62% depois da segunda dose –um índice superior ao da eficácia global do estudo divulgado pelo Butantan.

A efetividade estudada agora pelo Vebra Covid-19 mostra o impacto real da vacinação na redução de casos de infecção pelo novo coronavírus. Ou seja, ela revela como a vacina funciona quando aplicada na população geral.

Para chegar aos resultados e verificar o impacto real da vacinação na redução de casos (ou seja, a efetividade do imunizante), os cientistas pesquisaram os resultados de testes para a Covid-19 de todos os bancos de dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

O estudo envolveu 15.900 pessoas suspeitas de Covid-19 com mais de 70 anos que moram em São Paulo, onde a variante P.1 é predominante.

Os exames foram feitos em pessoas com sintomas da doença e que buscaram as unidades para fazer o teste e confirmar se estavam ou não infectadas.

"Com o aumento da idade, houve uma redução da efetividade da Coronavac. Esse fenômeno ocorre na vacina influenza e é esperado que ocorra em outras vacinas", diz a nota de divulgação do estudo.

A informação de que isso ocorria, de acordo com dados iniciais do estudo, foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo.

O Vebra Covid-19 é formado por pesquisadores da Fiocruz, das universidades norte-americanas de Stanford, Yale e Flórida, da UnB (Universidade de Brasília), do Instituto de Saúde Global de Barcelona e da Secretaria de Saúde de SP.

É importante considerar que a pesquisa não revela o que aconteceu depois que as pessoas fizeram o teste —se seguiram com sintomas leves ou se a doença agravou.

Dados de outros trabalhos indicam que a Coronavac pode estar ajudando a prevenir hospitalizações e mortes.

A proporção de mortos por Covid-19 entre os maiores de 80 anos, faixa etária com a vacinação contra a doença em etapa avançada, caiu quase 60% entre janeiro e abril no Brasil. Os dados são de levantamento feito pela Folha de S.Paulo no Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.

O Instituto Butantan enviou uma nota à reportagem afirmando que a Coronavac é segura e eficaz para a população adulta, incluindo idosos, e citou dados de estudo da prefeitura de São Paulo que mostram que, em abril, houve queda de 90% no número de mortes por Covid-19 entre pessoas com idade acima de 90 anos.