Eficácia geral da CoronaVac é de 50,4% no estudo feito pelo Butantan no Brasil

João Conrado Kneipp
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SAO PAULO, BRAZIL - NOVEMBER 19: In this photo illustration, a box of Sinovac Biotech coronavirus trial vaccine is displayed at Palacio Bandeirantes on November 19, 2020 in Sao Paulo, Brazil. The batch with the first 120,000 doses of the CoronaVac vaccine arrived in Sao Paulo today. The material imported from China is being developed by the Chinese laboratory Sinovac, in partnership with the Butantan Institute. CoronaVac is one of four candidates for the vaccine against coronavirus that are being tested in Brazil, but has not yet had authorization from the National Health Surveillance Agency (Anvisa) to be applied in Brazil. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)
(Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)

A CoronaVac, vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, atingiu uma eficácia geral de 50,38%. O patamar atingido está acima dos 50% mínimo determinado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação em caráter emergencial.

Ao todo, foram registradas 85 infecções no grupo de 4.653 voluntários vacinados, e 167 casos confirmados nos 4.599 voluntários que tomaram um placebo.

O dado, adiantado pelo jornal Folha de São Paulo, foi divulgado pelo governo de São Paulo em coletiva de imprensa nesta terça-feira (12) após o governador João Doria (PSDB) anunciar, na semana passada, que o imunizante atingiu 78% de eficácia em casos leves e 100% em casos graves e moderados.

Na coletiva, Butantan reiterou os dois percentuais passados anteriormente.

O número completo — que envolve os voluntários infectados, mas que não precisaram de assistência médica — não havia sido revelado até agora e foi alvo de contestações por pesquisadores, que cobraram mais transparência ao Butantan. O motivo da ausência seria o contrato que o Butantan firmou com a Sinovac Biotech.

A justificativa do percentual, segundo o Butantan, foi a escolha de “endurecer” o teste de fase 3 da CoronaVac ao selecionar para o voluntariado apenas profissionais da saúde, grupo que está diretamente exposto ao contato com o vírus e, portanto, com mais chance de se contaminar.

A pirâmide apresentada indica que a CoronaVac possui eficácia de 100% para evitar casos moderados e graves; 78% para evitar casos leves; e 50,4% para casos gerais, em que não foi preciso assistência médica. (Foto: Reprodução/Yahoo Notícias)
A pirâmide apresentada indica que a CoronaVac possui eficácia de 100% para evitar casos moderados e graves; 78% para evitar casos leves; e 50,4% para casos gerais, em que não foi preciso assistência médica. (Foto: Reprodução/Yahoo Notícias)

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“(O teste) não é a vida real exatamente. É um teste artificial, no qual selecionamos dentro das populações possíveis, selecionamos aquela população que a vacina poderia ser testada com a barra mais alta. A gente quer comparar os diferentes estudos, mas é o mesmo que comparar uma pessoa que faz uma corrida de 1km em um trecho plano e uma pessoa que faz uma corrida de 1 km em um trecho íngreme e cheio de obstáculos. Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para essa vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários”, disse o diretor médico de pesquisa clínica do Butantan, Ricardo Palácios.

Os dados do teste indicam, segundo o instituto, que a CoronaVac não registrou eventos adversos graves. As reações alérgicas ocorreram em 0,3% dos participantes, não havendo diferenças entre o grupo que recebeu a vacina e o grupo do placebo.

“Temos uma vacina que foi testada na vida real, o meio de uma pandemia e naqueles que eram mais expostos. Encontramos como resultado eficácia, segurança e temos essa vacina aqui”, ressaltou o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn.

PERCENTUAL ABAIXO DOS 60%.

Pesquisadores ouvidos pelo portal UOL, na segunda-feira (11), afirmaram que a eficácia geral da CoronaVac ficou abaixo dos 60%.

A previsão do governo paulista é que a imunização no estado comece no próximo dia 25 utilizando a CoronaVac. O uso, no entanto, depende que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) conceda autorização para uso emergencial da vacina.

O pedido foi protocolado na sexta-feira (8) na agência, que agora terá um prazo de até 10 dias para analisar todos os documentos enviados pelo Butantan dos estudos da fase 3 dos testes da vacina no país.

Entretanto, no sábado (9), a agência enviou oficio ao Butantan pedindo a apresentação de informações complementares, após concluir triagem inicial de documentação apresentada na véspera.