Pfizer diz que sua vacina tem 95% de eficácia; Entenda os últimos anúncios sobre imunizantes

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(Photo: kovop58 via Getty Images)
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A Pfizer divulgou nesta quarta-feira (18) que os resultados finais do teste de estágio avançado de sua vacina para covid-19 mostram que o imunizante é 95% eficaz. O anúncio vem 9 dias depois de a mesma empresa anunciar 90% de eficácia. Neste período, o laboratório americano Moderna disse que sua vacina é 94,5% eficaz e o governo russo, que a Sputnik V, o imunizante que estão desenvolvendo, tem eficácia de 92%.

Mas o que querem dizer todos esses anúncios? Que vacina está mais perto de se tornar viável?

A divulgação feita pela Pfizer nesta quarta mostra que, hoje, a vacina desenvolvida pelo laboratório americano é a que está mais avançada. Isso porque os resultados divulgados agora são com base em 170 casos confirmados de covid-19 entre seus 43.000 voluntários.

Os dados divulgados pelo mesmo laboratório no último dia 9, de 90% de eficácia, eram preliminares, com base em 94 casos confirmados. A Pfizer já havia anunciado que seguiria os testes até haver 164 casos de covid-19 entre os participantes. A previsão era que isso ocorresse só em dezembro, mas foi encerrado nesta semana.

Com isso, o resultado de eficácia é considerado “final”.

Destes 170 casos de covid, apenas 8 pessoas tinham recebido a vacina, o que significa que a dose teve uma taxa de eficácia de 95%. Já entre as 10 pessoas que desenvolveram sintomas graves, só uma havia recebido a vacina.

“Os dados são muito fortes”, disse Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, no Reino Unido, à Reuters. “Está parecendo uma verdadeira candidata.”

No Brasil, especialistas também celebraram o anúncio, apesar de não estar certo se os brasileiros terão acesso à vacina da Pfizer. “YES nós temo vacina!!!!!! Bem vinda Pfizer!!!!! Análise primária COMPLETA com 170 eventos, 162 doentes no grupo placebo, mostrando 95% de proteção!”, escreveu a microbiologista Natalia Pasternak, destacando que a eficácia é “muito maior do que imaginávamos, funcionando também em idosos”.

Como o da Pfizer na última semana, o anúncio da Moderna na segunda-feira foi também sobre uma análise preliminar, que se baseou em 95 infecções registradas entre os participantes do estudo clínico. Deste total, somente 5 infectados tinham recebido a vacina, que é administrada em duas doses com um intervalo de 28 dias entre elas, e o restante, placebo.

Os dados do teste de 30 mil participantes da Moderna também mostraram que a vacina evitou casos graves de covid-19. Dos 95 casos do teste da Moderna, 11 foram graves e todos eles ocorreram entre voluntários que receberam o placebo.

A Moderna disse esperar ter dados de segurança suficientes para receber a autorização nos EUA na semana que vem e solicitar uma autorização de uso de emergência nas próximas semanas.

A russa Sputnik V e a chinesa CoronaVac

No caso da vacina russa, a Sputnik V, a leva de resultados iniciais foi a segunda de um teste de estágio avançado com humanos. Os resultados se baseiam em dados dos 16 mil primeiros participantes do teste a receberem as duas aplicações da vacina de duas doses. A análise foi realizada depois que 20 participantes do teste desenvolveram covid-19 e examinou quantos receberam a vacina na comparação com os que receberam um placebo.

Especialistas, contudo, disseram que o conhecimento a respeito do projeto e do protocolo do teste russo é escasso, o que torna difícil interpretar as cifras divulgadas.

Na terça-feira, foi a vez de a chinesa Sinovac fazer um anúncio sobre a CoronaVac – que tem parceria com o Butantan. Segundo o laboratório, a vacina induziu uma rápida reposta imune, mas o nível de anticorpos produzidos foi menor do que o visto em pessoas que se recuperaram da doença. Os dados são preliminares, e os testes estão em estágios inicial e intermediário (fases 1 e 2), ao contrário da Pfizer e da Moderna, que estão em estágio avançado (fase 3).

Os pesquisadores disseram, contudo, que a CoronaVac poderia fornecer proteção suficiente com base na experiência com outras vacinas e em dados de estudos pré-clínicos em macacos.

Segundo a Reuters, o próximo lançamento de dados provavelmente será da AstraZeneca com a Universidade de Oxford, em novembro ou dezembro. A Johnson & Johnson diz que está a caminho de fornecer dados este ano.

O problema da vacina da Pfizer no Brasil

O Ministério da Saúde informou na terça-feira que a compra da vacina da Pfizer deve ocorrer à medida que os ensaios clínicos apontarem “total eficácia e segurança” dos insumos e após o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Representantes do ministério receberam na terça executivos da Pfizer, em uma das ações do órgão para tentar “garantir, o quanto antes, uma vacina segura, eficaz, em qualidade e quantidade, para a população brasileira”, de acordo com nota da pasta.

“O objetivo é conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório. A aquisição dos imunizantes deve ocorrer à medida em que os ensaios clínicos apontarem a total eficácia e segurança dos insumos e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) for realizado”, informou o ministério.

Um ponto problemático da vacina da Pfizer é exigir o armazenamento ultrafrio, o que a torna mais fácil de distribuir. Ela precisa ser transportada e armazenada a 70º Celsius negativos, o tipo de temperatura típica de um inverno antártico. Sob temperaturas típicas de geladeira, ela pode ser armazenada por até cinco dias apenas.

Até o momento, o governo do presidente Jair Bolsonaro vinha apostando principalmente na vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceira com o laboratório AstraZeneca, e já assinou um acordo para compra do imunizante e futura transferência de tecnologia para produção nacional pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No comunicado desta terça-feira, o ministério disse que estão previstas, ainda nesta semana, reuniões com representantes de outras três empresas farmacêuticas que desenvolvem vacinas em estágio avançado: Janssen, da Johnson & Johnson; Instituto Gamaleya (Sputinik V) e Bharat Biotech (Covaxin), da Índia.

“A pasta deve apresentar, em breve, o plano de imunização da população brasileira contra a Covid-19. A previsão é que a primeira remessa de vacinas já esteja disponível no primeiro semestre de 2021 e contemple inicialmente o grupo de risco da doença, que serão definidos pelos aspectos epidemiológicos, de eficácia e de segurança da vacina a ser utilizada”, finalizou o ministério no comunicado.

Além das vacinas tratadas pelo Ministério da Saúde, o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, tem acordo com a chinesa Sinovac para testagem e produção nacional da vacina em desenvolvimento CoronaVac.

O que são os dados de eficácia na fase avançada?

A fase 3 envolve milhares de voluntários e tem variado em torno de 30 mil a 60 mil nas diferentes iniciativas no caso da covid-19. Devido ao grande número de participantes, é só nesse etapa que é possível aferir de fato a eficácia.

Seguindo protocolos de pesquisa – como perfil da amostra e aval dos comitês de ética – os voluntários se dividem em dois grupos: um recebe a vacina e outro recebe um placebo. Os voluntários não sabem a qual grupo pertencem. Para verificar a eficácia, os cientistas comparam o percentual de casos confirmados nesses dois grupos.

Por exemplo, se houver 100% de casos confirmados no grupo que não recebeu a vacina e 20% de confirmados no que recebeu, a eficácia é de 80%.

Há um patamar mínimo necessário para poder fazer essa comparação – em geral, em torno de 150 casos confirmados no caso da covid-19. Devido à urgência da crise sanitária, os cientistas têm adotado o que se chama “análise interina”. Esse mecanismo previsto nos estudos permite analisar resultados em patamares mais baixos.

Este artigo apareceu originalmente no HuffPost Brasil e foi atualizado.

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