Mais de 80 mil pessoas fugiram de Ghouta Oriental em menos de 1 mês, diz ONU

Beirute, 27 mar (EFE).- Mais de 80 mil pessoas fugiram de Ghouta Oriental, o principal reduto dos opositores dos arredores de Damasco, na Síria, desde 9 de março, em direção a áreas controladas por rebelde ou em poder das autoridades, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) nesta terça-feira.

A Ocha destacou num relatório que, após anos de assédio e depois do aumento da violência nos dois últimos meses, o progresso do governo sírio em Ghouta Oriental provocou o deslocamento de 80 mil pessoas para outras regiões. A maioria saiu através de corredores estabelecidos pelas autoridades, e cerca 13 mil pessoas, quase todos combatentes e seus parentes, foram levadas a Idlib em virtude de "acordos locais", de acordo com o documento.

Sobre os que saíram pelos corredores a pontos dos arredores de Damasco sob o controle do governo, muitos estão em oito refúgios coletivos. Os deslocados que estão nesses locais não podem sair até que passem por um processo de investigação e demonstrem que têm alguém para apoiá-los. A Ocha ressaltou que, até o momento, pelo menos 22.982 pessoas conseguiram a permissão oficial para sair desses lugares e foram morar com familiares em outras partes.

Quanto à situação dos enviados a Idlib, o escritório da ONU manifestou preocupação com as condições em que se encontram, já que essas pessoas estão sendo amparadas em abrigos superlotados. A Ocha afirmou que antes da chegada desse público quase 1 milhão de outros deslocados internos já residia em Idlib. Quase toda a província de Idlib está em poder da Frente da Libertação do Levante (antiga filial da Al Qaeda na Síria), e outras facções.

A Ocha destacou que desconhece o número exato de gente que continua em Ghouta Oriental. Acredita-se que até 25 mil pessoas possam estar nas áreas que agora estão em poder das forças governamentais.

Atualmente, a única região sitiada é Douma, onde calcula-se que estejam quase 78 mil pessoas, após os acordos fechados entre as partes em conflito em Harasta, Ein Tarma, Kafr Batna e Haza. A agência da ONU apontou que a continuação da violência em Douma segue gerando muitas mortes de civis e uma grave situação humanitária, já que os moradores se refugiam em porões e ficam com cesso limitado a produtos básicos e serviços. EFE