Exército nigeriano ignorou avisos de ataque prévio ao sequestro, diz AI

Nairóbi, 20 mar (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta terça-feira que o Exército da Nigéria tinha sido informado sobre o deslocamento de um comboio do grupo jihadista Boko Haram rumo a Dapchi, local no nordeste do país africano onde há um mês 110 estudantes foram sequestradas.

"Entre 14h local (10h, em Brasília) e 18h30 local de 19 de fevereiro, as forças de segurança receberam pelo menos cinco chamadas advertindo que o grupo armado se dirigia a Dapchi", assegurou a AI em um comunicado publicado hoje.

A organização colheu testemunhos "confiáveis" de diferentes fontes que asseguram que avisaram às autoridades sobre o ataque iminente do Boko Haram até "quatro horas antes de ocorrer".

Além disso, detalha que o comboio avançou desde às 15h (12h, em Brasília) local pouca a pouco por povoados da zona, onde vários vizinhos avisaram as forças de segurança, até que finalmente às 18h30 local entraram em Dapchi e atentaram contra a escola.

A AI aponta que as forças militares falharam ao dar uma resposta ao ataque armado do Boko Haram à escola pública de Dapchi, no estado de Yobe, que acabou com o sequestro de mais de 100 jovens estudantes.

"As autoridades nigerianas devem investigar este injustificável erro de segurança que possibilitou o sequestro sem nenhuma tentativa de preveni-lo", estimou o diretor da AI na Nigéria, Osai Ojigho, que pediu ao Governo que "use todos os meios legais para assegurar que as meninas sejam resgatadas de forma segura".

"As autoridades parecem não ter aprendido nada com o sequestro de 276 estudantes em Chibok, no vizinho estado de Borno, em 2014, e fracassaram em proteger a população no nordeste da Nigéria, sobretudo as meninas", lamentou Ojigho.

Ainda que algumas conhecidas "meninas de Chibok" tenham sido libertadas, 112 ainda seguem em cativeiro.

Este novo sequestro causou grande indignação na população, e medo na zona, já que as escolas vizinhas estão fechadas desde que ocorreram os fatos.

Em 28 de fevereiro, o Governo da Nigéria anunciou que aumentará a presença das forças de segurança nas escolas do nordeste do país para "impedir que voltem a acontecer ataques contra estudantes inocentes".

Pouco após o sequestro de Chibok, o Governo já anunciou uma medida similar com a iniciativa "Escolas Seguras", mas a AI denuncia que não há uma estrutura montada para fazer que ditos centros sejam seguros.

Nos últimos meses aumentou o número de ataques suicidas na Nigéria, apesar dos terroristas perderem presença em alguns de seus territórios após operações das forças de segurança.

Em represália, os jihadistas adaptaram seus ataques a locais considerados pontos débeis, como lugares de oração, escolas e acampamentos de refugiados. EFE