Ei, Oscar, quantas vezes vamos precisar falar sobre diversidade?

O filme coreano Parasita, dirigido por Bong Joon Ho, foi um dos destaques do Oscar deste ano. Na imagem, ele posa ao lado dos atores Lee Jeong Eun e Song Kang Ho (Foto: Getty Images)

A segunda-feira (13) amanheceu com os indicados a um dos maiores prêmios do cinema de todo mundo: o Oscar 2020. Apesar de contar com algumas surpresas, como as 11 indicações para o filme "Coringa", estrelado por Joaquim Phoenix, e o coreano "Parasita", que além de entrar na categoria Melhor Filme, também aparece em Melhor Filme Estrangeiro, precisamos, mais uma vez, falar sobre diversidade. 

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Foi isso que, mais uma vez, deixou a desejar nas indicações. De fato, "Parasita" mostrou a sua força como um destaque no cinema com indicação em uma das principais categorias da noite - mas parou por aí. Nenhum de seus incríveis atores entrou para as listas de Melhores Atores e Atrizes, tanto principais como coadjuvantes. 

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Quando o assunto são os homens, precisamos lembrar que temos dois representes de fora do eixo Estados Unidos - Reino Unido: Antonio Banderas, que é espanhol, e o próprio Joaquim Phoenix, que nasceu em Porto Rico. Apesar disso, todos são brancos.

Falando das mulheres, a situação parece um pouco melhor. Temos Cynthia Erivo, indicada pelo seu papel no longa "Harriet". As outras 4 atrizes são, todas, mulheres brancas. Vale notar que Scarlett Johansson foi nomeada duplamente, tanto como Melhor Atriz por "História de um Casamento" quanto como Melhor Atriz Coadjuvante por "Jojo Rabbit”. 

Em nenhuma das categorias, porém, vemos homens ou mulheres de origem asiática. As categorias de Coadjuvantes, seguem o mesmo padrão: apenas homens e mulheres brancos. 

Na direção, também não tivemos surpresas. A maioria homens, com uma exceção à regra: Bong Joon Ho, por "Parasita". As mulheres, mais uma vez ficaram esquecidas. 

Outra exceção foi a indicação do documentário brasileiro "Democracia em Vertigem", dirigido pela brasileira Petra Costa. 

Dá para entender, portanto, a revolta dos fãs de cinema das redes sociais. No Twitter, o que mais se viu foram comentários sobre a falta de Lupita Nyong'o na lista de indicadas a Melhor Atriz com o filme "Nós". Mesmo Awkwafina, vencedora do Globo de Ouro pelo filme "A Despedida", já este ano, ficou de fora. 

O Oscar em números

Difícil perceber que existe uma preferência (além de um incentivo) para produções dirigidas e estreladas por pessoas brancas em Hollywood? Então, vale lembrarmos aqui alguns dados interessantes. Por exemplo: você sabia que o primeiro filme com um elenco inteiro étnico a ganhar o Oscar de Melhor Filme foi "Quem Quem Ser Um Milionário?" (De Danny Boyle, um homem branco), em 2011? Para um elenco inteiro negro, a data é ainda mais recente: “Moonlight”, de Barry Jenkins (um homem negro) em 2016. 

Dentre os diretores, em toda a história da premiação apenas dois asiáticos foram contemplados, Ang Lee e, agora, Bong Joon Ho com “Parasita”. No total, e apenas cinco homens negros foram indicados como diretores e, até hoje, nenhum deles levou a estatueta para casa. Jenkins, no entanto, foi contemplado com o prêmio de Melhor Filme. 

Até hoje, apenas cinco mulheres foram indicadas à categoria, e Kathryn Bigelow, de "Guerra ao Terror", foi a única vencedora

Desde que a premiação aconteceu pela primeira vez, em 1929, a premiação deu a estatueta de Melhor Ator / Atriz para apenas 16 pessoas negras. A mais recente foi Viola Davis, que levou em 2016 a estatueta por seu papel em "Um Limite Entre Nós". Pois, é, o ano é 2020, mas, pelo visto, o Oscar tem muito a aprender quando se fala em, de fato, honrar a arte do cinema e a representatividade que ela busca representar.