Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz afastam cirurgião acusado de deformar narizes em SP

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O médico mineiro Veraldino de Freitas Júnior. Foto: Arquivo Pessoal
O médico mineiro Veraldino de Freitas Júnior. Foto: Arquivo Pessoal
  • Hospitais afastaram médico acusado de deformar narizes de pacientes após cirurgias

  • Ao menos 30 pessoas disseram que foram afetadas pelo trabalho do cirurgião

  • Alan Landecker negou responsabilidade e alegou que os danos foram causados por discumprimento de orientações no pós-operatório

Três hospitais de São Paulo afastaram o cirurgião plástico Alan Landecker e abriram investigação para esclarecer denúncias feitas contra o profissional por supostamente deformar narizes de pacientes após a realização de rinoplastias. As informações são do G1.

Landecker não faz mais parte do corpo de médicos que atuam nos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz, ao menos momentaneamente. Os afastamentos foram definidos após a repercussão causada por denúncias feitas por ex-pacientes do profissional.

O caso chegou à Polícia Civil e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que também abriram investigações próprias para apurar as acusações.

Ao menos sete pacientes de Landecker foram à polícia e registraram queixas formais contra o médico. Além da parte estética, eles acusam o profissional de deixá-los com lesões no nariz e problemas de saúde, que incluem perda de olfato, paladar e audição, provocadas por infecções depois das cirurgias.

Um grupo de WhatsApp foi criado para que estes pacientes pudessem trocar informações e hoje conta com cerca de 30 pessoas, que se dizem atingidas pelo trabalho do médico.

Um dos casos mais graves é o do médico e empresário mineiro Veraldino de Freitas Júnior, de 35 anos, que decidiu passar por uma rinoplastia depois do fim de um relacionamento. Ele contou ao jornal Folha de S. Paulo que encontrou Landecker porque sentiu confiança no cirurgião.

Alan Landecker negou ser responsável pelos danos - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Alan Landecker negou ser responsável pelos danos - Foto: Reprodução/Redes Sociais

"Ele me disse: ‘Aqui não é uma rodoviária, não. Aqui é relojoaria suíça. Sinta-se seguro que nós vamos cuidar de você’. Nessa hora, a gente não se importa mais com o preço, com nada, porque a gente pensa estar no lugar mais seguro"

O preço de sua rinoplastia, feita em setembro de 2020, foi de R$ 50 mil. Depois de um ano, ele já havia realizado três cirurgias e gastado R$ 300 mil. Hoje, está com o nariz deformado, recebe medicação intravenosa para combater uma bactéria contraída na operação e vive à base de antidepressivos. "Ele acabou com minha vida", desabafou.

Médico culpa descumprimento de orientações

Em nota, Landecker negou qualquer responsabilidade por sequelas nestes pacientes, garantiu que prestou a necessária assistência pós-cirúrgica e disse que não pode ser responsabilizado nos casos em que os pacientes não cumpriram o protocolo de cuidados recomendados.

Ele é considerado um dos melhores cirurgiões em rinoplastia no país, e não possui histórico de intercorrências.

De acordo com a assessoria do médico, "todos os pacientes são previamente orientados sobre os cuidados necessários e acompanhados por até três anos após os procedimentos".

"A correção, seriedade e competência do profissional serão demonstradas por meio de exames e documentos. Já a difamação e a discriminação das quais o dr. Landecker tem sido vítima, nas redes sociais, são alvo de representações, ações criminais e cíveis."

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