'Ela só queria se livrar desse homem. Ele a ameaçava todo dia', diz mãe de cabeleireira morta a tiros em casa

Muito abalada, a cuidadora de idosos Beatriz Maria do Nazareth, de 62 anos, contou que a filha caçula, a cabeleireira Sarah Jersey Nazareth Pereira, que foi morta a tiros dentro de casa, tentava dar um ponto final no relacionamento há anos com Queven da Silva e Silva, principal suspeito pelo assassinato. A mãe da vítima disse ainda que nos últimos meses as ameaças se intensificaram. Sarah, de 23 anos, estava ao lado dos dois filhos, um de dois meses e o outro de 4 anos, quando foi baleada, na madrugada desta terça-feira (26). Ela e as crianças estavam na casa onde moravam, na Rua Tadeu Kosciusko, esquina com a Rua Riachuelo, no Centro do Rio.

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— Estou aqui no IML para resolver os trâmites da morte da minha filha caçula. Eu só quero que ele seja preso. Ela deixou dois filhos pequenos, e agora? O que vai ser? A minha filha estava muito feliz porque estava trabalhando lá na (Rua do) Lavradio — conta dona Bia, como é conhecida no bairro.

A mãe da vítima falou do relacionamento conturbado, e de que ele era persistente. Ela completa:

— Ela só queria se livrar dele, mas ele a perseguia, ligava todos os dias. Eles ficaram juntos por alguns anos. Esse monstro matou a minha filha mais nova. Só peço que ele fique preso pelo resto da vida. Minhas filhas foram criadas nessa rua. Todo mundo conhece a gente — desabafou.

O principal suspeito do crime é o ex-marido de Sarah, Queven, de 26 anos, morador do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ele possui 47 anotações criminais, incluindo roubo, tráfico de drogas e homicídio, e estava foragido da Justiça do Rio desde 2016. Contra ele há pelo menos oito mandados de prisão em aberto. Após o crime de hoje, ele fugiu, mas foi localizado e preso por agentes do Bairro Presente nas imediações da favela. De acordo com a PM, ele seria executado por traficantes que não aceitaram o assassinato. Ele foi encontrado amarrado.

No quarto onde estava Sarah, peritos da Polícia Civil recolheram 16 cápsulas de pistola. Há aproximadamente dois meses o criminoso já teria tentado matar a ex-companheira com uma facada no pescoço.

Na ocasião, Sarah ficou internada por alguns dias no Hospital Municipal Souza Aguiar. De acordo com policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que estiveram no local, o suspeito teria chegado à casa da vítima por volta de 4h20 e feito três disparos para cima. Ao entrar no imóvel, Queven atirou diversas vezes contra a mulher, que morreu na hora.

Um vizinho da cabeleireira diz que escutou os disparos e teria visto a irmã da vítima em fuga pela região para não ser morta. A testemunha disse também que a irmã ainda gritou para um rapaz em situação de rua fugir para não ser alvejado. O morador conta os momentos de terror:

— Era pouco depois das 4h30 quando os tiros começaram. Foram mais de 16 tiros. Minha gata que foi para a janela e me chamou a atenção. Os tiros, que estavam abafados, davam a impressão que vinham da Lapa. Como tivemos essa confusão há pouco tempo, eu achava que teria sido perto dos Arcos, mas não foi. Eu fui à janela e vi uma moto parada — conta o morador.

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