'Ela tinha plena consciência do que estava fazendo' diz delegado sobre técnica de enfermagem indiciada por falsa aplicação de vacina em Niterói

Gisele BARROS
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A técnica de enfermagem indiciada por falsa aplicação da vacina contra a Covid-19 em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, não soube explicar na delegacia o motivo por ter cometido o crime. É o que conta o delegado Luiz Henrique Marques Pereira, titular da 76º DP, que investigou o caso. A Polícia Civil concluiu que a profissional agiu intencionalmente. O caso ocorreu no dia 15 de fevereiro em um posto drive-thru no Gragoatá e foi gravado por uma pessoa que acompanhava o idoso no momento da imunização.

— Como explicar o inexplicável? Como uma profissional experiente vai justificar o motivo de não ter apertado o êmbolo de uma seringa na hora da aplicar a vacina? Por isso, ela se limitou a dizer que não sabia o motivo. No vídeo, ficou registrado que o acompanhante do idoso inclusive perguntou se ela havia aplicado a vacina corretamente, e ela responde com ironia, confirmando que o fez. Ela sabia que o líquido estava ali. Já descartamos a hipótese de que ela esqueceu de apertar. Ela tinha plena consciência do que estava fazendo — ressaltou o delegado.

De acordo com Pereira, ao contrário do que foi divulgado anteriormente, a seringa com a dose não foi encontrada no posto.

— É provável que esse material seria desviado, talvez até aplicado em outra pessoa, algo realmente muito grave. Caso fosse essa a intenção, haveria possibilidade até de o imunizante não ter mais eficácia, e este já seria outro crime, de estelionato. A princípio, essa hipótese não foi comprovada — explicou.

Para o delegado, a situação serve de alerta para pessoas que estão sendo vacinadas e é exemplo também para os profissionais de saúde.

— Essa profissional trabalhou apenas dois dias no posto. Imagine o que poderia ter acontecido em um mês. É inadmissível que as pessoas que serão vacinadas tenham essa preocupação. De toda forma, é uma situação educativa. Todos devem ficar atentos na hora da aplicação — ressaltou.

O inquérito será enbcaminhado nesta quinta-feira o Judiciário. A mulher deve responder por peculato e infração de medida sanitária. A princípio, segundo o delegado, a técnica de enfermagem deve responder em liberdade.