Elas são evangélicas, negras e deputadas

Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

Pesquisa do Datafolha divulgada no início da semana pelo jornal Folha de São Paulo mostra que o perfil do evangélico brasileiro é mulher e negra. Elas representam 58% desse segmento. No Congresso, a bancada evangélica conta apenas com 1,4% de mulheres negras, o que corresponde a três parlamentares. Conheça um pouco mais da história dessas mulheres.

Benedita da Silva (PT-RJ)

Benedita da Silva é membro da Assembleia de Deus, desde 1968, quando foi batizada e se converteu.

Em seu quarto mandato como deputada federal, ela foi a primeira senadora negra do Brasil, além de vereadora e governadora do estado do Rio de Janeiro. Benedita pautou seus mandatos pelo ativismo nos Movimentos Negro e Feminino. “A militância política do pobre começa no berço, no bairro, e não no partido. Foi na rua que aprendi a lutar pela igualdade social para os homens e as mulheres”, afirmava. 

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Nascida na capital fluminense, em 1942, ela foi criada na favela do Chapéu-Mangueira, no Leme, em uma família de 14 irmãos. Para ajudar nas despesas da casa, teve que interromper os estudos e trabalhar. Foi ambulante, tecelã em fábrica de tecidos, faxineira e conseguiu formar-se como auxiliar de enfermagem. Depois, concluiu o curso de Serviço Social.

É casada com o ator Antônio Pitanga e madrasta dos atores Rocco Pitanga e Camila Pitanga.

Flordelis (PSD-RJ)

Desde cedo, a deputada federal de primeiro mandato Flordelis acompanhava a mãe em cultos numa igreja evangélica, onde cantava no coral. Anos depois, em 1999, já cantora gospel e pastora, ela fundou sua própria igreja, a Comunidade Evangélica Flordelis.

A vida de Flordelis, 58 anos, nascida e criada na Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, é marcada pela tragédia. Aos 14 anos, perdeu o pai e um irmão em um acidente de carro. Aos 19 anos, afastou-se da igreja evangélica e engravidou do namorado. Abandonada grávida, ela decidiu criar o filho sozinha sob as leis de Deus, voltou para a religião e engajou-se em causas sociais.

Em 1993, conheceu o pastor Anderson do Carmo, durante um culto que ele realizava na Favela do Jacarezinho. Casaram-se e tiveram três filhos biológicos. Anderson adotou também o enteado como filho. Juntos, eles adotaram ainda 51 filhos. Desses, 37 eram sobreviventes da Chacina da Candelária.

Em junho de 2019, Anderson do Carmo foi executado com pelo menos 15 tiros na garagem da própria casa, em Niterói, região metropolitana do Rio. O enteado e um dos filhos adotivos foram presos, acusados do crime. Segundo a polícia, toda a família é investigada.

Rosangela Gomes (Republicanos-RJ)

Afilhada política do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, a deputada Rosangela Gomes tornou-se evangélica após uma tentativa de suicídio. “Não via sentido na vida, e tentei me matar tomando comprimidos. Fiquei desenganada durante duas semanas. Mas a fé me resgatou e mostrou que eu podia mudar minha história”, contou ela em uma entrevista.

O cotidiano de violência doméstica marcou a vida de Rosangela. Filha de mãe empregada doméstica e pai motorista, ela via o pai alcoolizado bater na esposa, que revidava. O pai morreu quando ela tinha 12 anos, por complicações decorrentes da bebida. A irmã se casou, continuou morando na casa, e Rosangela assistiu ao cunhado beber e espancar a irmã diariamente.

Ela trabalhou como ambulante e conseguiu pagar um curso de auxiliar de enfermagem. Mais tarde, formou-se em Direito. Na igreja, dedicava-se ao trabalho social com jovens sem perspectiva de futuro.

Aos 53 anos, natural de Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, Rosangela exerce o segundo mandato de deputada federal. Já teve três mandatos de vereadora e um de deputada estadual. Tem a violência doméstica como uma das principais pautas e conseguiu aprovar no ano passado um adendo à Lei Maria da Penha.