'Ele está com medo até de descer do prédio', diz pai de aluno sequestrado no Cefet; estudantes vivem insegurança

Alunos e familiares de estudantes da Cefet de Itaboraí estão assustados depois que João Marcelo Araújo Resende, de 23 anos, foi sequestrado quando saía da unidade de ensino no início do mês. Segundo o pai do estudante de graduação em Engenharia de Produção, Paulo Roberto Resende, na terça-feira (07/06), o filho foi abordado por dois homens que puxaram João para dentro de um carro e ficaram com ele por cerca de duas horas. Nesse período, os criminosos obrigaram o jovem a fazer movimentações na conta digital e entraram em contato com a família pedindo dinheiro.

— Meu filho ficou refém deles. Meu filho só tinha 30 reais na conta. Queriam que o João fizesse empréstimos, pediram que ele me ligasse para eu fazer um PIX. Enquanto isso, os bandidos agrediram ele dentro do carro, física e verbalmente. Ameaçaram meu filho de morte. Ele não teve forças para reagir — descreveu Paulo Roberto Resende, pai de João Marcelo, em áudio enviado para grupos da Cefet.

Depois de ser solto pelos criminosos na beira da Rio-Santos, João Marcelo correu e conseguiu chegar em um posto de gasolina para pedir ajuda. Ele sofreu muitas agressões no tórax e na cabeça. O estudante precisou passar por um procedimento cirúrgico no maxilar no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Mas, o que mais preocupa a família são as sequelas psicológicas deixadas pela situação.

— Ele sofreu agressões que nunca tinha visto na vida. Está com medo até de descer do prédio — explicou o pai.

A ocorrência foi registrada na delegacia de Itaguaí (50DP) na madrugada de quarta-feira. Segundo a Polícia Civil, o caso está sendo tratado como roubo com restrição da liberdade, quando os bandidos ficam com a vítima por um tempo, a obrigam a fazer transferências e depois soltam, sem pedido de resgate. Ainda de acordo com a polícia, já foi iniciada uma investigação para identificação dos autores do crime.

A família do estudante diz ter sentido falta de um apoio da Cefet. Entrar para a faculdade de engenharia era um sonho de João, que começou o curso há apenas dois semestres. O pai do aluno afirma que além das questões de segurança, a Cefet deveria ter oferecido algum tipo de suporte emocional depois do ocorrido. Um grupo de estudantes também está cobrando um posicionamento da faculdade. Eles acreditam que o evento serviu como um alerta em relação à insegurança da região e ao risco que isso representa para os alunos.

— Sempre foi uma região muito pouco iluminada e com poucas opções de caminhos para que os alunos e funcionários possam se deslocar com segurança. A gente precisa atravessar a rotatória, atravessar a Rio-Santos para conseguir chegar no ponto e pegar um ônibus para o Rio ou para Seropédica. E na ida, o ponto de ônibus que nos deixa mais perto da Cefet fica atrás da unidade. A gente tem que dar uma volta para chegar. Estamos sempre sofrendo com a questão da segurança. Os casos são recorrentes — descreveu Pedro Lucas, estudante da Cefet de Itaguaí e membro do Conselho Estudantil.

Os alunos realizaram uma assembleia na última sexta-feira e pretendem realizar uma nova mobilização na próxima segunda. O grupo de universitários enfatiza que a Cefet não deve esperar o “pior acontecer”, que seria no caso, a morte de alguém, para tomar as medidas necessárias.

Maurício Saldanha, diretor-geral da Cefet, afirmou que apesar de não ter acontecido na porta da unidade de ensino, o sequestro de João Marcelo, sem dúvidas é uma questão de segurança pública que acende um alerta sobre a região:

— Existe sim uma insegurança no entorno e em toda a região de Itaguaí. Nós frequentemente temos solicitado rondas da polícia militar e melhoria da iluminação. Também temos tido reuniões com a secretaria de transportes para repensar a questão do transporte público para nossos alunos e servidores — afirmou Saldanha.

Segundo o Diretor-Geral, a Cefet de Itaguaí está oferecendo auxílio à família de João Marcelo.

— O João Marcelo está recebendo o conteúdo das aulas de forma remota em casa e todos os professores estão cientes da situação dele — completou.

A Cefet de Itaguaí fica bem na entrada da cidade, em uma rotatória, às margens da rodovia Rio-Santos. Estudantes estão marcando mais uma mobilização para esta segunda-feira.

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