"Ele estava sempre sorrindo e dizendo que era muito feliz", diz amigo de Manduca

Evaldo Rosa dos Santos foi morto na frente da família. Foto: Arquivo Pessoal

Parentes e amigos participaram do enterro de Evaldo Rosa dos Santos nesta quarta-feira (10). O músico teve seu carro metralhado por militares do exército quando estava a caminho de um chá de bebê com sua família. Um dos presentes no enterro era o também músico Ciney Silva, amigo de Manduca (como era chamado pelos conhecidos) há mais de 20 anos.

Segundo Ciney relatou ao blog, eles se conheceram ainda adolescentes e sempre tocavam juntos. Os dois chegaram a ser parceiros no grupo Remelexo da Cor: Ciney tocava banjo e Manduca cavaquinho, além de fazer parte dos vocais. “Foi a melhor época do grupo”, relembra nostálgico. Evaldo só saiu do grupo por conta da família. “Ele precisava de um tempo para organizar a vida familiar dele e um dia voltaria”, afirma o amigo.

A preocupação com a família ficou evidente no momento em que o carro em que ele estava com a sua companheira, o filho de sete anos, o sogro e uma amiga foi atingido por mais de 80 tiros no último domingo (7). “A esposa dele falou que, assim que ele foi atingido, gritou para correr com o filho”, relata o amigo.

“O Manduca tinha uma alegria, um astral, uma personalidade de dar inveja a qualquer ser humano. Ele estava sempre sorrindo e dizendo que era muito feliz, principalmente quando tocava”, relembra Ciney dizendo que o amigo também era muito medroso e cauteloso.

O amigo de Evaldo diz que teve a “pior sensação” quando soube da morte do amigo por meio de uma mensagem de áudio no aplicativo WhatsApp. “Muito horrível a sensação. Estamos dando à Deus nosso grande amigo”, diz.

Ciney também relatou que o sepultamento de Evaldo foi triste, porém cheio de homenagens e música. Agora, ele constata que é preciso buscar justiça e respostas sobre a ação do Exército que causou a morte de seu amigo. “Manduca se foi, mas a voz dele continua ecoando em nossos ouvidos. Descanse em paz, meu amigo”, finaliza emocionado.

Também nesta quarta-feira (10), a Justiça Militar determinou que nove militares que atiraram contra o veículo da família de Evaldo continuem presos. Eles já tinham sido detidos em flagrante e participaram de uma audiência de custódia hoje.

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