'Ele manipulava minhas partes íntimas e me machucava': prima de vítimas de estupro por estudante de medicina também relata abusos na infância

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Foto: Getty Images
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  • Estudante de medicina foi indiciado por estupro de vulneráveis no Piauí

  • Marcos Vitor Aguiar Dantas, de 22 anos, está foragido

  • Defesa diz que suspeito não fugiu e só abriu mão do “direito ao interrogatório”

"Ele puxava o lençol durante a madrugada e manipulava muito minhas partes íntimas, me machucava demais, eu passava a noite chorando, com medo, angustiada. E ele falava que se eu fosse contar para alguém, ninguém ia acreditar porque ele era considerado muito bom filho. Mas, por trás, ele não era nada disso”.

O relato é de mais uma vítima do estudante de medicina Marcos Vitor Aguiar Dantas Pereira, de 22 anos, no centro de histórias de abusos que envolvem quatro crianças, entre elas suas irmãs de 3 e 9 anos. Os casos são investigados pela Delegacia de Proteção à Criança em Teresina, no Piauí. Indiciado por estupro de vulneráveis, o rapaz está foragido.

S. só revela o que lhe aconteceu na infância sete anos depois. Na época dos abusos, ela tinha apenas 12 anos, mal sabia o que estava acontecendo. O sinal de que era algo que não era bom eram as dores que se arrastavam por dias depois de ela deixar a casa da tia, onde ia passar férias ou fins de semana, e voltar para sua pequena cidade, em Água Branca, a cerca de 90km de Teresina. S. é prima das demais vítimas que acusam Marcos Vitor.

- Eu passava dias sentindo dores, até para urinar - conta ela, que lamenta não ter tido forças para contar, na época, sobre os abusos de Marcos que deveria ter então cerca de 15 anos. - Ele era aquele garoto que não gostava de sair, quieto. Ficava na sala enquanto eu e minhas primas brincávamos no celular ou víamos televisão. Quando ele tinha chance, me trancava no quarto. Ele abusou de mim dos 12 aos 14 anos. Depois comecei a dar um jeito de não ir mais para a casa da minha tia. Nunca mais tive contato. Se eu não tivesse tanto medo e vergonha, teria contado e as minhas primas não teriam passado por tudo que passaram. Ele não é nada disso que pensam, tem que pagar por tudo que fez, merece justiça.

S. não prestou depoimento à polícia e diz que hoje só gostaria de esquecer. Casada e com um filho de 1 ano e quatro meses, ela só se sentiu confiante para dizer o que sofria nas mãos de Marcos Vitor quando outra prima se abriu. “Nós nós abrimos uma para outra. Eu falei tudo, ela também me contou. Eu tinha muito medo que dissessem que era mentira”, diz. Só há pouco mais de um mês, ela fez as revelações para a mãe e até mesmo para o marido:

- Todos ficaram em choque. Passei muito tempo guardando aquilo tudo. Eu fui uma adolescente que não gostava de me arrumar, minha mãe me dava um brinco e eu não usava. Tinha receio de ficar perto de meninos.

"Pais devem observar comportamento das crianças"

Foto: Getty Images
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Depois de concluir o ensino médio no ano passado e de ter passado a quarentena recolhida com a família, S. deseja fazer faculdade de enfermagem e espera que a coragem que está tendo de se expor, tantos anos depois, ajude a outras crianças vítimas de violência sexual, muitas vezes praticada por alguém da família.

- Os pais devem observar o comportamento das crianças. Se elas estão diferentes, se choram sem razão ou se não querem ficar perto de alguém pode ser um sinal. Conversem com elas - afirma.

O advogado de Marcos Vitor, Eduardo Faustino, diz que não comenta as denúncias contra seu cliente porque elas correm sigilo de justiça por terem sido feitas por menores. Ele também não comentou o fato de o estudante ainda não ter se apresentado às autoridades de segurança. Desde que o caso veio à tona, Faustino afirma que ele não fugiu e só abriu mão do “direito ao interrogatório”. 

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