'Ele morreu!', gritaram membros da família comemorando na noite do assassinato do pastor Anderson

Raquel dos Passos Silva, filha do Carlos Ubiraci e neta de Flordelis, afirmou que, após o pastor Anderson do Carmo ser baleado, ouviu membros da família gritarem “ele morreu!”, como se estivessem comemorando. Além disso, ela contou que viu Ramon Oliveira catando as cápsulas de bala no chão e ele falou “sem as balas não há crime”.

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— Ali entendi que a família Oliveira tinha alguma coisa com isso. Assim que vimos que ele havia sido baleado e não sabíamos ainda se o Anderson estava morto, ouvi a Rafaela, irmã de Ramon, dizer: “se ele estiver vivo, eu pego minhas coisas e meto o pé dessa casa” — revelou Raquel.

Raquel também contou que, na noite do crime, após o pastor ser socorrido a um hospital privado em Niterói, Flordelis fingia chorar na ligações que recebia. Ela ainda afirmou que a ex-deputada disse várias vezes para Flávio dos Santos sair da unidade: "O Flávio tem que sair daqui”.

Filho biológico de Flordelis com o primeiro marido, Paulo Rodrigues Xavier, Flávio tinha grande proximidade com a mãe, mas não com o padrasto. Foi preso no dia seguinte à morte de Anderson por causa de um mandado de prisão do Juizado de Violência Doméstica. Durante o primeiro julgamento do caso, em novembro do ano passado, Flávio foi condenado a 33 anos e dois meses de prisão por ser o executor do pastor Anderson do Carmo. Ele ainda respondeu por porte de arma de fogo de uso restrito e associação criminosa.

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A testemunha afirmou que Flordelis tentou impedi-la de ir depor à Divisão de Homicídios após o crime.

— Brigamos porque eu não queria cozinhar para ela e saí da casa. Uma semana depois, ela soube que a DH tinha me chamado para depor e ela me ligou para que eu não ir. Fficou fazendo ligações e enviando mensagens — relatou Raquel, que contou também ter sido orientada por uma mulher que se apresentava como "psicóloga” e secretária de Flordelis a mentir em seu depoimento na polícia. Ela conta que todos na casa tiveram que participar de uma simulação de depoimento.

— Na parte do Ramon, disse que não podia contar para não “prejudicar” e que teria que falar que fiquei no carro. Todo mundo passou por essa simulação. Ali na hora era como se fosse delegada — relatou.

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Questionada pela acusação se havia recebido um telefone celular depois da morte do pastor, Raquel negou, mas afirmou que “foi chuva de iphone para os favoritos, parece que foi um prêmio, todo mundo trocou de telefone”.

Raquel disse ainda que na casa tinha um taco de beisebol e que a ex-deputada batia nas crianças com o equipamento:

— Sentia pena da criança X. e nem sei como ela está viva. Ela até rasgou a roupa de outra criança. Meu pai (Carlos Ubiraci) foi espancado, sim, e levou uma panela de pressão na cabeça já adulto. Às vezes, ela mandava os meninos baterem (com o taco). Fora isso, era só ela. O Lucas já foi agredido com esse taco, a Gabriella, a criança X.

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Durante uma paralisação do júri, a ré e filha biológica de Flordelis, Simone dos Santos Rodrigues, passou mal. Ela foi tirada do plenário e uma viatura do Samu será acionada para o socorro. Ao ver a cena, Flordelis começou a chorar.