'Ele pediu ajuda', conta esposa de homem negro espancado até a morte em Porto Alegre

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SAO PAULO — Segundo a esposa de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, o homem negro espancado até a morte em um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, a vítima chegou a pedir ajuda antes de morrer, mas continuou sendo imobilizado pelos seguranças. Em entrevista à "Rádio Gaúcha", a cuidadora de idosos Milena Borges Alves, de 40 anos, afirmou que ele não fez nenhum gesto agressivo para a funcionária do mercado. Milena contou que estava pagando as compras e, quando chegou ao estacionamento, seu marido já estava imobilizado e pedindo ajuda.

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"Eu estava pagando no caixa. Ele desceu na minha frente. Quando cheguei, ele já estava imobilizado. Ele pediu ajuda, quando fui, os seguranças me empurraram", afirmou Milena à rádio.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que ele morreu vítima de uma parada cardíaca em razão da dificuldade para respirar após ser imobilizado.

"Ninguém me disse nada depois que ele estava desmaiado", afirmou Milena à Rádio Gaúcha.

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A agressão aconteceu em um mercado da rede Carrefour na Zona Norte de Porto Alegre. Amigos de Beto, como ele era conhecido, se mostraram surpresos após a notícia de sua morte.

— O Beto era companheiro nosso de arquibancada, ali de São José, cara firme, cara gente boa, durão, coração mole. Ainda que a gente conheça o tratamento do pessoal no mercado, como a gente é acostumado em dia de jogo, é uma notícia que pegou todo mundo de surpresa — afirmou Márcio Nobre Cardoso, auxiliar administrativo de 29 anos.

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Beto foi homenageado pela torcida organizada do São José, clube da Zona Norte de Porto Alegre, e pelo qual ele torcida. Um protesto foi marcado para esta tarde em frente ao mercado.

Vídeos que circulam em redes sociais mostram ele sendo agarrado pelas costas por um segurança e agredido por outro com diversos socos na cabeça. Os seguranças estão presos e vão responder por homícidio por asfixia por dolo eventual. Um deles é policial militar temporário e estava fora do horário de serviço.

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O Carrefour se manifestou na madrugada desta sexta-feira. Informou que os funcionários, contratados por uma empresa terceirizada, foram demitidos e "ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna".

Em fevereiro do ano passado, Pedro Henrique Gonzaga, um jovem negro de 19 anos, foi morto asfixiado por um segurança do supermercado Extra na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O agressor foi indiciado por homicídio doloso.

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Leia a nota completa do Carrefour:

"Sobre a brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia: O Carrefour informa que entrará com uma queixa-crime contra os responsáveis. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."