Ele vai: conheça o 'professor' belga que joga por Gana e selou seu destino em uma carta

Aos 16 anos, Denis Odoi ouviu que nunca se tornaria um jogador de futebol profissional. Treze anos depois, foi fundamental na campanha que levou o Fulham à Premier League, a elite do futebol inglês, depois de quatro anos jogando a segunda divisão. No jogo decisivo, o zagueiro foi expulso e assistiu aos minutos finais do vestiário.

Esse era um futuro que o atleta, hoje com 34 anos, nunca previu. Fã de futebol desde a infância, Odoi nasceu na cidade de Leuven, na Bélgica, onde conheceu, aos cinco anos, o atacante Dries Mertens. Desde aquela época, o sonho de se profissionalizar parecia inatingível, ainda mais se comparado à “concorrência”.

— Eu era um jogador normal, nunca fui o melhor do time. Cresci com vários jogadores que estão na Premier League, e todos eram melhores do que eu. Na escola, me perguntaram o que eu queria ser, já que sabiam que eu não seria um jogador profissional.

Mesmo assim, Odoi continuou jogando bola, mas sem deixar os estudos de lado. Ele contou que provavelmente se tornaria um profissional de educação física, e daí veio o apelido de “professor”

Mas a carreira decolou, e depois do sucesso no país natal, a seleção parecia o próximo passo. Ele jogou na base belga e disputou um amistoso no profissional, mas uma carta selou o seu destino. Em 2014, ele escreveu à Federação Ganesa de Futebol pedindo para ser considerado. “Isso me dará a oportunidade para entrar em contato com as minhas raízes, ao mesmo tempo em que faço o que amo. Espero que eu cresça como jogador e como pessoa .”

Filho de pai ganês e mãe belga, Odoi afirma que o lado paterno nunca foi próximo, e ele sempre se considerou “mais belga”. Mas a esperança da carta se transformou em frustração à medida em que os anos se passaram e a convocação não veio. Na Copa Africana das Nações, em fevereiro, o jogador achou que não havia mais espaço para ele.

Logo em seguida, no entanto, descobriu que tratava-se apenas uma questão burocrática e, em março, estreou pela seleção ganesa, contra a Nigéria, uma das maiores rivalidades da África. Prestes a disputar sua primeira Copa, Odoi se diz grato por não desistir dos dois sonhos.