Ele vai: conheça Thomas Delaney e a revelação em ligação de rádio que mudou a vida do dinamarquês

Com apenas uma rápida ligação, Thomas Delaney, meio-campista do Sevilla de 31 anos e um dos principais jogadores da seleção da Dinamarca, deixou de ser o ídolo de 5,8 milhões de dinamarqueses para se tornar referência de 350 milhões de daltônicos ao redor do mundo. Oito minutos antes de sair de casa para encontrar com seus companheiros de seleção para viajar rumo à Rússia, onde disputaria a Copa do Mundo de 2018, Delaney ligou para uma rádio do seu país chamada DR P3 e revelou um segredo que guardou durante a vida inteira: que possui daltonismo.

Tudo começou quando um torcedor dinamarquês ligou para a rádio para lamentar que teve problemas para assistir a um amistoso entre Dinamarca e México que antecedeu a Copa, porque não conseguia distinguir as cores vermelhas e verdes das camisas. Delaney aproveitou a oportunidade e também ligou para a rádio.

— Meu nome é Thomas, sou daltônico e isso também acontece comigo. No outro dia, em campo, era difícil ver quem estava no meu time — falou o meia.

Curioso, o apresentador do programa perguntou em que time o tal “Thomas” jogava. Foi quando Delaney revelou sua identidade: — Na seleção dinamarquesa.

Nascido em Frederiksberg, Delaney cresceu vidrado em futebol, por seu pai e avô serem grandes torcedores do Manchester City. Ainda assim, segundo o jogador, o problema do daltonismo não o prejudicou muito durante a carreira, uma vez que só acontece ocasionalmente.

— É difícil descrever. É como ver dois tons da mesma cor. Geralmente temos calções diferentes, mas ambos eram brancos naquela época (Dinamarca x México). Tive que olhar para os rostos rápido para não perder a bola — explicou.

Sua admissão fez a diferença na época. Austrália e Dinamarca concordaram em usar seus segundos uniformes quando se enfrentaram para não causar complicações, pois Delaney brincou que “quase definitivamente não teria notado o amarelo” dos rivais. Delaney também se tornou uma espécie de ícone para os daltônicos ao redor do mundo — cerca de um a cada 12 homens têm o problema, que só afeta uma a cada 200 mulheres.

— Ele é o primeiro jogador de elite ativo a reconhecer isso publicamente. A maioria (dos jogadores) não fala sobre isso porque sabe que afetará o seu valor (de mercado) — afirmou a fundadora da ONG Color Blind Awareness (Consciência Daltônica), Kathryn Albany-Ward, em entrevista à BBC.