Ele vai: Filho de refugiados, Davies é destaque da seleção canadense

O título “Ele vai”, que batiza esta série sobre jogadores que estarão na Copa do Mundo do Catar, não poderia ser mais simbólico do que no caso de Alphonso Davies. Para o lateral-esquerdo do Bayern de Munique e atacante da seleção canadense, estar no maior torneio de seleções do planeta é a mostra de como o apoio aos refugiados pode transformar vidas.

Davies é filho de liberianos. Embora tenha sido o primeiro país africano a conseguir a independência e carregar em seu próprio nome a ideia de liberdade (Libéria significa “país dos libertos”), o território ficou marcado por uma série de conflitos e guerras civis. A segunda delas (entre 1999 e 2003) levou os pais do jogador a fugirem para um campo de refugiados em Gana, onde ele nasceu em 2000. Cinco anos depois, a família se mudou para o Canadá graças a um programa de reassentamento.

“Muitas vezes me pergunto onde eu estaria se tivesse ficado lá (no campo de refugiados) e não tivesse me beneficiado das oportunidades que tive graças ao reassentamento. Acho que não teria conseguido chegar aonde estou hoje”, refletiu o jogador em entrevista ao site da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A entrada no futebol ocorreu com o suporte de outro programa: o Free Footie, que incentiva a prática esportiva de crianças e jovens sem recursos na cidade canadense de Edmonton. A partir dali, seu talento permitiu que tudo fosse muito rápido. Aos 14 anos, ele já havia chamado a atenção do Vancouver Whitecaps FC, com quem assinaria o primeiro contrato profissional já aos 15 e, aos 16, se tornaria o mais jovem a atuar pela seleção canadense adulta.

Davies logo chamou a atenção dos olheiros do Bayern, para onde se transferiu em 2019. Recuado para a lateral esquerda, rapidamente conquistou seu espaço e foi peça importante de uma temporada em que o clube alemão conquistou tudo o que disputou.

Rápido, driblador e com boa visão de jogo, Davies, de 22 anos, foi o grande nome da seleção do Canadá ao lado de Jonathan David nas Eliminatórias da Concacaf e ajudou o país a encerrar um hiato de 36 anos sem participação em Copas.

Primeiro jogador de futebol a assinar com a ACNUR para ser embaixador do órgão, ele também tem outra paixão: a música. Sob o codinome Phonzy, costuma se aventurar como rapper. Grava as canções no próprio estúdio e as lança nas redes sociais.