Ele vai: Meunier trabalhou como carteiro até se firmar na elite do futebol

Aos 18 anos, em um futebol cada vez mais precoce e exigente, é comum que jogadores estejam integralmente imersos na rotina de treinos e compromissos extracampo. Afinal, já são marcas prontas para um diagnóstico de sucesso ou fracasso. Não foi assim, porém, com Thomas Meunier, o lateral-direito de 31 anos que deverá ser convocado para sua segunda Copa do Mundo pela seleção da Bélgica.

Àquela altura, o jogador — que tentava se firmar no modesto Virton, clube de seu país, após ser dispensado do tradicional Standard Liége — ainda não sabia se “vingaria”. E, diante das contas a pagar e da desconfiança incômoda do próprio pai, passou a trabalhar como carteiro. Acordava às 5 horas e saía de casa antes do nascer do sol para uma rotina que ele classifica como exaustiva.

— Você para o carro, desce, vai até a caixa de correio, arruma a correspondência, volta para o carro, dirige até a próxima casa... E começa tudo de novo. A cada dez metros! Quando eu voltava para casa, estava tão cansado que dormia a tarde inteira — contou o jogador em depoimento ao site The Player’s Tribune.

Entregar correspondências não foi o único emprego de que o belga deu conta durante o período de incertezas no futebol. Ele também trabalhou em uma fábrica de peças de automóveis, ajudando a montar para-brisas. Tudo isso enquanto jogava pelo Virton, razão pela qual seus colegas de fábrica pegavam no seu pé segunda-feira de manhã caso ele fizesse um mau jogo no domingo.

Tudo começou a mudar quando Meunier entrou no radar do Club Brugge, maior time da Bélgica. E isso se deu de maneira inusitada: jogando como atacante na época de Virton, ele começou a marcar gols em série, vários deles golaços que viralizaram nas redes sociais.

— Eu estava jogando por prazer, por paixão. Do nada, vários times começaram a ficar interessados. Nunca vou esquecer quando meu agente me ligou e disse: “O Club Brugge quer você” — recordou. — Eu era um cara normal, trabalhando como carteiro ou numa fábrica. Mas, quando assinei o contrato, minha vida mudou. O melhor momento foi quando meu pai me ligou e disse: “meu filho conseguiu”.

Após cinco anos no Brugge e já lateral-direito, Meunier foi para o PSG, onde atravessou quatro temporadas de irregularidade antes de se transferir, em 2020, para o Borussia Dortmund, clube que defende até hoje.