Ele vai: O sucessor de Milla e Eto'o que diz não ter medo do Brasil

Em setembro, uma entrevista de Vincent Aboubakar, o veterano atacante da seleção camaronesa, teve grande repercussão, especialmente no Brasil. O jogador de 30 anos, que se prepara para sua terceira Copa do Mundo, fez uma avaliação dos adversários do Grupo G e não se mostrou assim tão intimidado com o cabeça de chave:

— Caímos em um grupo difícil, com Brasil, Suíça e Sérvia. No entanto, não temos medo do Brasil, porque esse time não é como os que conhecemos no passado.

Aboubakar é remanescente do último confronto entre Brasil e Camarões, em 2014, vencido pela seleção por 4 a 1. Neymar fez dois, Fred e Fernandinho também marcaram e Matip descontou no duelo que valeu a classificação para as oitavas de final. No primeiro encontro entre as duas seleções em Mundiais, em 1994, os futuros tetracampeões também levaram a melhor: 3 a 0, em jogo que o defensor Rigobert Song, atual treinador, acabou expulso.

O atacante do Al Nassr, da Arábia Saudita, é o atual capitão dos Leões Indomáveis. Foi campeão da Copa Africana-2017, com direito a gol do título, artilheiro da edição de 2021, eleito duas vezes o atleta mais promissor da África e bicampeão português pelo Porto e duas vezes turco pelo Besiktas. Defende a seleção desde 2010, ano em que disputou sua primeira Copa, e tem 37 gols em 93 partidas por Camarões, atrás apenas de Roger Milla e Samuel Eto’o na artilharia histórica.

Mas a seleção que surpreendeu o mundo na Copa-1990 vive momento conturbado, com demissão de técnico a pedido do presidente do país e vaga conquistada na prorrogação. A convocação de Song, há seis jogos no cargo e vindo de derrotas até para o inexpressivo Uzbequistão, levantou suspeita de interferência da Federação Camaronesa, presidida por Eto’o, segundo a imprensa local. O treinador parecia hesitante e errou a pronúncia dos nomes de alguns atletas.

A esperança dos camaroneses é a boa safra de atletas, como goleiro Onana (Internazionale) e Choupo-Moting, em boa fase no Bayern de Munique. Mas a tarefa de Aboubakar e cia. não será das mais fáceis, com ou sem medo do Brasil.