'Ele vai ter que provar', diz Bolsonaro sobre declarações de Paulo Marinho

Daniel Gullino

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o empresário Flávio Marinho terá que provar suas declarações de que houve um vazamento de informações sobre a Operação Furna da Onça para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foi a primeira vez que Bolsonaro comentou o caso.

— Ele vai ter que provar, não vou entrar em detalhe, quem foi o delegado que teria dito para um assessor do meu filho...É sempre assim, né, "ouvi "dizer". Não, não é "ouvi dizer" — disse Bolsonaro, em entrevista ao jornalista Magno Martins, transmitida no Instagram. — Quem vai provar? "Ouvi dizer". Não é assim, não. Você está mexendo com a honra das pessoas.

Paulo Marinho irá prestar depoimento à Polícia Federal (PF) na quarta-feira. Segundo o empresário, em entrevista publicada no jornal "Folha de S. Paulo" no último domingo, Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da PF, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, que seria deflagrada a Operação Furna da Onça, que continha um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio.

Na entrevista desta terça, Bolsonaro afirmou que a PF e o Ministério Público irão "ver até onde o empresário tem razão":

— A Polícia Federal vai investigar, o MP vai investigar, ver até onde o empresário tem razão ou não para tomar as providências.

De acordo com Marinho, o vazamento a Flávio envolveria ainda a informação de que a operação teria sido postergada para não prejudicar o desempenho eleitoral de Bolsonaro no segundo turno das eleições à Presidência.

Bolsonaro negou essa informação, dizendo ter lido no GLOBO uma nota do desembargador Abel Gomes, relator da Operação Furna da Onça no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo Gomes, houve um entendimento conjunto entre a Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e PF de que não seria oportuno deflagrar a ação durante o período eleitoral de 2018.

— O que eu vi no GLOBO no dia seguinte, o desembargador falou que a operação em 2018, eu era apenas um deputado federal, candidato à Presidência, foi uma decisão da Polícia Federal, eu não era nada, era um deputado apenas, o Michel Temer era o presidente, decisão da polícia federal, do Ministério Público e do Tribunal Regional, adiar porque naquele espaço de tempo, entre eleições, você não podia prender ninguém — disse o presidente na entrevista. — Isso está sendo apurado, mas não é isso, porque o próprio jornal GLOBO fez uma nota nesse sentido, que o adiamento não foi em função disso.