'Ele vai voltar a brincar na praça. Ele é criança e não pode tirar esse direito dele', diz mãe de um dos meninos baleados em praça de Caxias

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“Ele vai voltar a brincar na praça. Ele é criança e não pode tirar esse direito dele. Ele não pode ficar preso em casa”, diz a dona de casa Elma Fernandes Soares Guimarães, mãe do menino de 11 anos que foi ferido na tarde deste domingo durante um tiroteio na Praça da Assembleia, em Saracuruna, em Duque de Caxias. Na manhã desta segunda-feira, emocionada, Elma conta sobre os momentos de aflição que viveu com o filho baleado. Um outro menino, de 9 anos, também foi atingido por um disparo.

— O meu sobrinho tinha feito aniversário e fizemos um feijão na lenha e ficamos no quintal. Por volta das 15h, meu filho pediu para ir à praça com os amigos. Lá ele joga bola e ping-pong. Quando foi uma hora depois, escutamos muitos tiros. Levantei e abri o portão e vi três meninos correndo. Quando virei a esquina vi muitas crianças e adultos vindos desesperados. Mas o meu filho não estava no meio. Corri até a praça. Quando fui lá meu filho estava cheio de sangue e já estava sendo socorrido. Entrei em desespero — relata a dona de casa, de 44 anos.

A Praça da Assembleia é o local de lazer de dezenas de crianças do entorno. Na tarde deste domingo, no entanto, as brincadeiras foram interrompidas pela violência, quando, segundo testemunhas, dois homens encapuzados desceram de um carro e começaram a atirar em um homem que estava no local e conseguiu escapar. O tiroteio durou cerca de 10 minutos. Agentes da 60ª DP (Campos Elíseos) buscam por imagens de câmeras de segurança para ajudar a entender os fatos e identificar os autores dos disparos e o alvo da dupla.

Elma afirma que pensou que perderia o filho para a violência.

— Quando eu vi meu filho cheio de sangue, eu pensei que iria perdê-lo. É uma sensação de impotência, insegurança. Você não imagina que em uma quadra as pessoas fariam isso — diz a mulher aos prantos, que completa.

— Eu me emociono de tristeza e alegria. De tristeza porque foi meu filho e o amigo dele. De felicidade porque meu filho nasceu de novo em meio a essa tragédia. Ele renasceu. Vamos fazer um culto de ação de graça, vamos colocá-lo no psicólogo.

O pai do menino, Evandro da Silva Guimarães, de 48 anos, falou da sorte que a criança teve. Apesar de ter sido baleada, a situação, por muito pouco, poderia ter sido pior, como conta:

— Já no hospital, o médico disse que a bala entrou na virilha e saiu nas nádegas. O médico disse que por pouco o meu filho não morria, já que passou perto da veia femoral. O médico disse que ele nasceu de novo. Ele recebeu alta e agora está dormindo, descansando um pouco desse susto.

A família da outra criança que foi atingida preferiu tirá-lo do bairro por enquanto. O menino mora com a avó há dois anos próximo ao local do ataque. As duas crianças foram socorridas por vizinhos e por parentes, levadas para o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Saracuruna, de onde foram transferidas para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes. Eles já tiveram alta.

“Eu pensei que ele fosse morrer, sangrava muito”

Uma supervisora de vendas de 37 anos diz que no momento do ataque o filho, de 7, estava brincando na praça. Ela pensou que a criança teria sido uma das vítimas do tiroteio. A mulher, que por medo prefere não dizer o nome, lembra que entrou em desespero quando não encontrou o filho.

— O meu filho tinha acabado de sair da praça para tomar açaí quando começaram a atirar. Na confusão, eu comecei a gritar pelo nome dele e nada. Então, uma vizinha me disse que ele estava bem e que havia saído cinco minutos antes. Quando ela me falou isso, vi o menino de 9 anos baleado. Ele sangrava muito. Peguei ele no colo e levei para dentro da minha casa até a avó dele chegar e os vizinhos levarem ele para o médico — conta a mulher.

A supervisora de vendas diz ainda que os atiradores chegaram a vigiar a vítima antes de atacá-la.

— Eles estavam esperando a pessoa que eles queriam alguns minutos antes. Só depois, quando eles viram o rapaz, eles começaram a atirar. Eles deram a volta na praça atirando. Foi desesperador.

Um empresário que vive na região há mais de 20 anos conta que “uma guerra entre traficantes e milicianos tem aterrorizado quem vive no bairro há meses”. Ele diz que paramilitares tentam expulsar os rivais da região. Ele acredita que o ataque deste domingo tenha sido motivado por disputa territorial.

— Eu vi quando o carro parou e começou a atirar. Em seguida eles (os criminosos) foram embora. Esse é um bairro tranquilo. Mas ultimamente tem tido uma disputa entre o tráfico e os milicianos. Por isso a violência tem aumentado. Acredito que o que aconteceu ontem foi briga entre eles por poder e domínio — conta.

Polícia busca por câmeras de segurança

Na manhã desta segunda-feira, dois policiais civis da 60ª DP estiveram em casas que ficam próximas a praça em busca de imagens de câmeras de segurança que possam ajudar na identificação dos criminosos e do homem. Os investigadores também conversaram com moradores que estavam presentes no local no momento do crime.

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