Eleição no Rio leva a nova separação entre os Maia e Eduardo Paes

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Como num enredo repetido, Cesar e Rodrigo, junto com Freixo, seguem em sentido oposto ao do prefeito, que escolheu Neves

As trincheiras já formadas para as eleições de outubro ao Palácio Guanabara dividiram, mais uma vez, a grande família Maia. Cesar e Rodrigo optaram por ficar ao lado de Marcelo Freixo (PSB) — enquanto o “Maia por adoção” Eduardo Paes (PSD) escolheu as hostes adversárias, com Rodrigo Neves (PDT).

Não é a primeira, e dificilmente será a última rusga em uma trama que já deveria ter lugar em qualquer antologia de uma das principais instituições culturais nacionais — as novelas. Com direito a cenas de amor e, mais ainda, de muitas traições.

Paes surgiu no início dos anos 1990 como integrante da Juventude Cesar Maia. Subprefeito aos 23 anos, se tornou o mais talentoso dos “Menudos”, apelido espirituoso para a geração de jovens políticos lançados na primeira gestão do prefeito Cesar.

Amigo dos gêmeos Daniela e Rodrigo, frequentador da casa da família, era um afilhado — no sentido político e pessoal — do prefeito. Com ele entrou na política eleitoral, conquistando o mandato de vereador em 1996 com 82.418 votos, um recorde para o cargo.

Tudo era lindo até as eleições para a Câmara dos Deputados em 1998. Rodrigo foi eleito, aos 28 anos, com 96.385 votos; Paes, com 117.164 votos. Ambos pelo mesmo partido, o PFL.

A passagem por Brasília — quando havia um único sol para todo mundo — não fez bem à amizade entre os rapazes. Tanto que Paes trocou o PFL pelo PTB um ano depois. Acabou voltando — numa das tantas idas e vindas — ao partido da família Maia em 2001, para ser secretário de Meio Ambiente de Cesar na prefeitura do Rio. Mas o encanto já estava quebrado

Paes rompeu politicamente com os Maia em 2002 e um ano após ser reeleito deputado federal, com 186.221 votos, filiou-se ao PSDB.

Mas foi em 2008, muito próximo do então governador do Rio, Sérgio Cabral, que o ex-pupilo de Cesar deu uma guinada na carreira. Já no PMDB, conquistou a prefeitura do Rio fazendo uma campanha de oposição ao seu criador. A candidata do prefeito, Solange Amaral, não foi nem para o segundo turno.

No “útero” de Cesar

Cesar sequer transmitiu o cargo a Paes. Disse não ter sido convidado. Em 2018, ao GLOBO, lembrou o episódio.

— Era natural que ele me criticasse, eu estava desgastado — protestou Cesar contra o ex-protegido. — Mas ele nasceu do meu útero, veio na minha cadeirinha de balanço...

As relações quase familiares não impediram que Eduardo Paes auditasse os contratos de construção da Cidade da Música e divulgasse o escândalo — ponto fraco na administração do antecessor.

— Eu esperava que, passada a eleição, ele, vitorioso, tivesse a nobreza de esquecer o derrotado.

Nesta época, pouco se via da relação fraternal dos primeiros anos da política. Em 2012, Paes e Rodrigo se enfrentaram, em campos opostos, quando o filho de Cesar disputou a prefeitura do Rio. Com palavras nada amigáveis.

— É um político que nega seu passado, é ingrato. Não tenho nada a elogiá-lo — atacou Rodrigo.

Mas, em 2014, um acordo reaproximou o PMDB e o DEM, e Cesar Maia se tornou candidato ao Senado na chapa que buscava a reeleição de Luiz Fernando Pezão, apoiado por Paes. Rodrigo, presidente do DEM, voltou a conversar com o antigo parceiro. Mas não o pai.

Em entrevista à BBC, em 2017, o agora vice anunciado na chapa de Marcelo Freixo disse ser “muito difícil” manter proximidade com o Paes, mas destacou que ele e Rodrigo são “muito amigos”.

— Eu deixei de ser — disse Cesar, na época.

Reafirmando essa amizade, eleito pela terceira vez prefeito do Rio em 2020, pelo DEM, Paes dedicou a vitória a Rodrigo.

Lá se vão oito anos em que o amor parece ter triunfado entre os “irmãos” — mas a sobrevivência política pôs, agora, de novo, cada um em seu campo, em lados opostos. O último capítulo ainda parece longe, mas a trama segue — com direito a muitas reviravoltas pelo caminho.

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