Eleição nos EUA: 13 estados deverão definir o próximo presidente americano; Joe Biden tem pequena vantagem em dez deles

Ana Rosa Alves
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Os americanos encerram nesta terça-feira (3) a votação para eleger quem será o presidente do país nos próximos quatro anos: de um lado, o republicano Donald Trump, que tenta se manter na Casa Branca; do outro, o democrata Joe Biden, que é apontado pelas pesquisas como o favorito, mas com uma vantagem muito pequeno. Numa disputa muito acirrada, 13 estados surgem como peças-chave na corrida e devem defini o vencedor.

Apesar de as pesquisas indicarem que o favoritismo de Biden não se esvaiu na reta final, uma reviravolta que dê a vitória a Trump não pode ser descartada. A média das sondagens nacionais, segundo o site FiveThirtyEight, mostra o ex-vice-presidente de Barack Obama com 51,7% das intenções de voto, contra 43,3% do atual ocupante da Casa Branca.

A decisão final ficará nas mãos de 13 estados, foco dos esforços de ambas as campanhas nesta reta final. Neles, a diferença é muito pequena para apontar quem será o vencedor. Biden tem uma pequena vantagem em dez destes 13, mas a margem de erro não lhe garante a segurança necessária para garantir sua vitória.

Parte das incertezas sobre a apuração diz respeito à enorme quantidade de votos antecipados, uma tentativa de evitar aglomerações em meio à pandemia. Até a noite desta segunda-feira (2), 97,7 milhões de americanos já haviam votado — 61,6 milhões pelo correio e 35,4 milhões, pessoalmente. O número representa 71% de todo o eleitorado de 2016. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.

‘Miragem vermelha’

A avalanche de votos postais provavelmente causará atrasos na apuração, já que boa parte dos estados mais disputados tem leis que proíbem a contagem das cédulas antes do dia oficial da eleição, como Wisconsin e Pensilvânia. A modalidade é particularmente popular entre os democratas — razão pela qual Trump há meses questiona sua lisura, mesmo sem quaisquer provas de fraude.

Logo, é provável que os primeiros resultados parciais em alguns estados-chave sejam favoráveis aos republicanos, mais adeptos do voto presencial, causando a falsa impressão de que estariam na frente. Essa seria a “miragem vermelha”, a cor do Partido Republicano, que se teme que Trump use para declarar vitória precipitadamente ou alegar fraude, aumentando o caos e o risco de violência nas ruas.

No disputado Michigan, a governadora democrata Gretchen Whitmer classificou a possibilidade de “muito real” e disse, em entrevista à CNN, que os votos deverão levar mais tempo que o normal para serem computados. Na ainda mais dividida Pensilvânia, também governada por democratas, o cenário é parecido. É lá que o presidente indicou que irá entrar com advogados “assim que a eleição acabar, na mesma noite”. Biden, em resposta, foi categórico:

— Minha resposta é que o presidente não irá roubar a eleição — afirmou. — Chega de caos! Chega de tuítes, da raiva, do ódio, do fracasso, da irresponsabilidade.

A ameaça de Trump foi em resposta a uma decisão da Suprema Corte, que se recusou a ouvir um pedido republicano para impedir que o estado conte votos postais recebidos até três dias após esta terça.

A medida faz parte de uma série de tentativas republicanas de anular votos antecipados em áreas com tendências democratas. Ontem, a Justiça rejeitou uma medida que buscava invalidar cerca de 127 mil votos depositados via drive-thru em Houston, no Texas.

Diante da judicialização da disputa, a campanha de Biden disse que “sob nenhuma circunstância Trump será declarado vencedor” na noite da eleição. O Twitter e o Facebook anunciaram que sinalizarão postagens que indicarem um vencedor antes da confirmação dos resultados.

No centro do furacão está a Pensilvânia, tida como o mais provável fiel da balança. Há quatro anos, os eleitores locais, que votavam em candidatos democratas desde 1992, optaram por Trump, retrato da popularidade do presidente entre homens brancos, de classe média e moradores de áreas rurais. Desta vez, segundo a média das pesquisas no FiveThirtyEight, Biden lidera no estado por 4,8 pontos percentuais, um pouco acima da margem de erro.

A importância da Pensilvânia, que sofre com a decadência da indústria do carvão, é tamanha que as campanhas ali concentraram seus esforços nesta reta final. Os dois candidatos estiveram lá várias vezes nas últimas semanas, incluindo esta segunda-feira, quando Trump visitou a cidade natal de seu adversário, Scranton.

Biden e sua candidata a vice, Kamala Harris, realizaram eventos em vários pontos do estado, incluindo um comício drive-thru em Pittsburgh com a cantora Lady Gaga. O democrata encerrará sua agenda de campanha nesta terça-feira com eventos em Scranton e na Filadélfia.

O outro foco do ex-vice-presidente na véspera da eleição foi Ohio, com um comício em Cleveland. Antes considerado terreno seguro para Trump, o estado vê os dois candidatos tecnicamente empatados.

Já Trump fez, novamente, uma peregrinação pelo país. Além da Pensilvânia, o presidente teve eventos nos estados-pêndulo da Carolina do Norte, Michigan e Wisconsin. Como de costume, ele usou os comícios para incendiar sua base, chamando Obama e Hillary Clinton de “criminosos”, afirmando que as pesquisas estão erradas e tentando se distanciar da classe política, mesmo estando no poder.

— Vocês têm o poder de votar, então vão e votem — disse. — A menos que você vá votar em outra pessoa que não seja eu. Neste caso, deixe para lá.