Eleição nos EUA: como Trump ainda pode vencer

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Joe Biden e Donald Trump
Joe Biden e Donald Trump

Os Estados Unidos estão passando por uma de suas eleições mais tensas em décadas e nas primeiras horas da quinta-feira (05/11), dois dias após o pleito, ainda não se sabe quem ganhou.

Tudo por causa do atraso na obtenção de resultados em um punhado de Estados nos quais ainda não há um vencedor claro: Arizona, Carolina do Norte, Geórgia, Nevada, Pensilvânia e Wisconsin.

A eleição deste ano foi afetada pela pandemia e teve um número recorde de votos pelo correio.

Até o início da manhã de 5/11, havia 71 votos do colégio eleitoral ainda em disputa em seis Estados: Alasca (3), Nevada (6), Arizona (11), Carolina do Norte (15), Geórgia (16) e Pensilvânia (20). Além dos 10 votos de Wisconsin, que já deu vitória para Biden, mas teve o resultado contestado por Trump, que pediu recontagem.

O candidato que tem a maioria dos votos dos eleitores obtém todos os votos do Colégio Eleitoral. Ou seja, o vencedor leva tudo.

Biden precisa de 17 votos no Colégio Eleitoral para vencer, e Trump, de 56. E por causa dessa dianteira, há mais possibilidade de vitória para o democrata, mas Donald Trump ainda tem chances de conquistar um segundo mandato.

Vale lembrar que as eleições nos EUA são indiretas: os cidadãos votam, de fato, na formação do Colégio Eleitoral, órgão encarregado de eleger o presidente.

O Colégio Eleitoral é composto por 538 delegados e 270 são necessários para vencer a eleição. A cada Estado é atribuído um número de delegados com base na sua população. Todos, exceto dois, têm a regra de que o "vencedor fica com todos (os delegados)".

Para vencer, Biden precisa manter a vantagem em Arizona e Nevada — ou virar nos outros quatro. Se conseguir, chega a 270 votos eleitorais, o mínimo necessário para conquistar a Casa Branca.

Joe Biden
Biden pidió paciencia y declaró que no se pueden dar resultados hasta que no se cuenten todos los votos.

Como Trump pode vencer

Para se manter na Casa Branca, Trump precisa conquistar Carolina do Norte, Pensilvânia e Geórgia, onde aparece com vantagem. Além disso, tem que lutar por pelo menos um dos Estados onde Biden está na liderança.

A disputa em Nevada está muito acirrada — e as últimas projeções indicavam que Trump estava se aproximando de Biden.

Hombre votando con mascarilla facial.
Las restricciones y medidas por la pandemia de coronavirus han hecho que estas elecciones sean especialmente particular.

Se as próximas cédulas eleitorais a serem apuradas vierem a ser de candidatos independentes ou republicanos que votaram em Trump, é possível que vença no Estado.

E assim como em Nevada, o Arizona também é um Estado em que há uma forte tradição entre republicanos de votarem pelo correio — ao contrário do que ocorreu em outros Estados, em que a maioria dos que votaram pelo correio eram democratas.

Como em Nevada, falta apenas contabilizar cédulas de votação por correio e a distância de Trump para Biden estava diminuindo na quarta-feira (05/11).

Mas Trump teria de manter sua dianteira na Pensilvânia e na Geórgia, onde a tendência na contagem dos votos restantes, enviados pelo correio, é oposta.

As cédulas restantes a serem contadas na Geórgia são de condados fortemente democratas ao redor de Atlanta.

Na Pensilvânia, havia mais de 1 milhão de votos por correspondência deixados para tabulação na quarta-feira (05/11). Embora Trump tenha uma vantagem maior no Estado, ela tem diminuido em um ritmo semelhante ao que levou Biden a virar a mesa e vencer em Wisconsin e Michigan.

Se Biden conquistar a Pensilvânia, ele pode se dar ao luxo de perder tanto em Arizona quanto em Nevada. Se o democrata virar a Geórgia, ele pode perder um ou outro (caso contrário, seria um empate no Colégio Eleitoral, que a Câmara dos Representantes decidiria).

Em outras palavras, Trump tem chances reais de ganhar a eleição, mas elas são menores que as de Biden, que tem pela frente vários caminhos para a vitória presidencial.

Justiça

Outro caminho para definir a eleição americana pode ser a via judicial, já que, ainda nas primeiras horas da quarta-feira (4/11), Trump se declarou vencedor da eleição e disse que iria à Suprema Corte para contestar o que ele chamou de "fraudes", sem qualquer evidência sobre essas acusações.

Trump defende paralisar a contagem dos votos e contesta principalmente as cédulas enviadas pelos correios. E essas várias batalhas judiciais podem atrasar ainda mais o resultado definitivo da eleição.

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