Eleição nos EUA: entenda em que pé está e como será definida

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*O texto foi atualizado às 00h49 de 7 de novembro de 2020.

Dias após o início da apuração dos votos na eleição presidencial dos Estados Unidos, os resultados até agora apontam um cenário favorável para o candidato democrata, Joe Biden, que está bem mais próximo da vitória do que o presidente republicano, Donald Trump. A disputa, no entanto, ainda é acirrada.

Da terça-feira (3/11), quando os votos começaram a ser contados, até a noite de sexta-feira (6/11), Biden havia conquistado 253 votos (incluindo os 10 de Wisconsin, onde o resultado projetado é a vitória de Biden; leia mais abaixo) no Colégio Eleitoral e Trump, 214.

No sistema de votação indireta dos Estados Unidos, cada Estado tem um número de votos no Colégio Eleitoral, e para vencer a disputa presidencial é preciso somar pelo menos 270.

Apesar da liderança de Biden, o clima é de apreensão entre democratas e republicanos. A margem pequena ainda pode ser revertida por Trump, e o presidente americano contesta cada vez mais o resultado das urnas, com acusações sem provas e ações judiciais.

Entenda abaixo os principais pontos da disputa presidencial, que pode ser definida em horas, dias ou semanas.

Votos restantes

Biden está atualmente em vantagem na corrida para a Casa Branca por três grandes motivos. Primeiro, ele tem mais votos até agora. Segundo, há mais combinações possíveis para sua vitória. Terceiro, a apuração dos votos restantes aponta uma tendência de que a maioria dessas cédulas será favorável a ele.

Mas por quê? Principalmente por causa do perfil do eleitorado das localidades ainda em aberto — são condados mais populosos, que tendem a ser mais pró-Biden, e a maioria dos votos restantes foi enviada por correio, modalidade adotada em maior peso por apoiadores do democrata, exceto no Arizona.

Até o início da tarde de sexta-feira, havia 68 votos do Colégio Eleitoral ainda de fato em disputa em cinco Estados: Nevada (6), Arizona (11), Carolina do Norte (15), Geórgia (16) e Pensilvânia (20).

No mapa disponível no link abaixo, atualizado com dados da Edison Reuters, os 10 votos do Wisconsin são contabilizados como "vitória projetada" para Biden, porque a Edison Reuters decidiu não decretar definitivamente vitórias em Estados nos quais a margem estreita entre os candidatos permita a recontagem legal dos votos.

No caso de Wisconsin, essa margem é de menos de um ponto percentual, segundo a lei local. De todo modo, o jornal The New York Times e a agência de notícias Associated Press já deram vitória ao democrata nesse Estado.

O candidato que leva a maioria simples dos votos dos eleitores ganha no Estado e obtém, assim, todos os votos correspondentes no Colégio Eleitoral.

Biden precisa de 17 votos para vencer e Trump, de 56. E, por causa dessa dianteira, há mais possibilidade de vitória para o democrata.

Três cenários para a vitória de Biden

1. Se Biden mantiver a dianteira onde ele já lidera, como nos Estados de Nevada (6 votos no Colégio Eleitoral), Geórgia (16 votos), Pensilvânia (20 votos) e Arizona (11 votos), vence a eleição. A emissora Fox News e a agência de notícias Associated Press já declararam vitória de Biden no Arizona, mas outros veículos de imprensa ainda não fizeram essas projeções.

2. Como Biden já lidera atualmente em quatro desses Estados, qualquer combinação de duas vitórias dele envolvendo os cinco Estados indefinidos leva a sua vitória.

3. Se Biden vencer apenas na Pensilvânia, que tem 20 votos no colégio eleitoral, ele é eleito.

Funcionária com cédulas de votação
Funcionários ainda precisam contar centenas de milhares de votos

Um cenário para a vitória de Trump

1. Para se reeleger, o presidente americano precisa vencer em 4 dos 5 Estados indefinidos, sem poder abrir mão de ganhar na Pensilvânia.

Onde o jogo ainda pode virar?

Biden lidera atualmente em 4 desses 5 Estados indefinidos: Nevada por 1,8 ponto percentual de diferença, na Pensilvânia por 0,5 ponto, na Geórgia por 0,1 ponto percentual e no Arizona por 0,9 ponto percentual.

As tendências de contagem apontam que Biden não deve conseguir virar mais Estados do que já conseguiu nesta sexta-feira: Geórgia e Pensilvânia.

Trump lidera na Carolina do Norte por 1,4 ponto percentual.

No Arizona, poderia ajudar o atual presidente um cenário em que a maioria dos votos restantes a serem apurados seja republicana — e não democrata, como acontece em outros Estados. Isto porque, no Arizona, o eleitorado pró-Trump tem tradição de votar pelo correio.

gráfico para boca de urna do eleitorado americano de 2020
gráfico para boca de urna do eleitorado americano de 2020

2. Batalha judicial

Outro caminho para definir a eleição americana pode ser a via judicial. Este seria o "cenário de pesadelo" que muitos políticos e analistas esperavam e temiam.

Ainda nas primeiras horas da quarta-feira (4/11), Trump se declarou vencedor da eleição e disse que iria à Suprema Corte para contestar o que ele chamou de "fraudes", sem qualquer evidência sobre essas acusações.

"Isso é uma fraude para o público americano. Isso é uma vergonha. Nós íamos vencer essas eleições... Francamente nós vencemos as eleições", afirmou Trump em discurso na Casa Branca, televisionado às 4h20 no horário de Brasília.

Apoiadores de Trump pressionam contagem de votos em Michigan
Apoiadores de Trump pressionam contagem de votos em Michigan

Trump defende paralisar a contagem dos votos e contesta principalmente as cédulas enviadas pelos correios. E essas várias batalhas judiciais podem atrasar ainda mais o resultado definitivo da eleição.

A campanha de Trump já pediu a recontagem de votos no Estado do Wisconsin, algo permitido por uma lei estadual quando a margem entre os candidatos é menor que 1 ponto percentual.

Em Michigan, os republicanos também contestam o resultado porque, segundo eles, uma equipe de observadores não obteve autorização para acompanhar a abertura das cédulas durante a contagem.

Há ações judiciais em curso também em outros Estados, a exemplo da Pensilvânia. E toda essa disputa pode chegar à Suprema Corte dos EUA, que tem sólida maioria conservadora.

As declarações e a estratégia de Trump despertaram indignação mesmo entre aliados do presidente.

Além disso, teme-se que a contestação do resultado eleitoral pelos republicanos descambe para cenas de violência nas ruas.

Um dos pontos de tensão está nos centros de contagem de votos.

Apoiadores de Trump passaram a protestar em frente a esses lugares, e em Michigan pressionaram para entrar a fim de acompanhar a votação. De todo modo, havia ali dentro a presença de dezenas de observadores ligados a Trump.

Vale registrar que nenhuma irregularidade na contagem foi reportada até o momento.

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