Eleição para a presidência da Câmara: colunistas do GLOBO analisam disputa entre candidatos de Bolsonaro e Maia

O Globo
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RIO — O presidente Jair Bolsonaro interveio diretamente na eleição para a presidência da Câmara, e seu candidato, Arthur Lira (PP-AL), chega à votação desta segunda-feira como favorito para enfrentar seu principal rival, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), que é apoiado pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM). Diante deste cenário, colunistas do GLOBO analisam as expectativas para a votação e os impactos que a escolha do novo presidente representará para o governo Bolsonaro e o próprio Congresso nos próximos anos (confira abaixo).

A disputa acirrada provocou uma discussão nesta segunda-feira entre Maia e Lira, durante a reunião de líderes.

A sessão em que será eleito o novo presidente da Câmara está marcada para 19h. Para ser eleito, o candidato precisa ter a maioria absoluta dos votos (metade dos votos mais um dos presentes). Se todos os 513 estiverem presentes, serão necessários 257 votos para a vitória em primeiro turno. Sem maioria absoluta, há segundo turno. A escolha é secreta, presencial, e por meio de dispositivo eletrônico. Além de Lira e Baleia Rossi, estão na disputa Luiza Erundina (PSOL-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Alexandre Frota (PSDB-SP), André Janones (Avante-MG), Fábio Ramalho (MDB-MG) e General Peternelli (PSL-SP).

Confira o texto de cada colunista:

Merval Pereira: Maia sai enfraquecido

Rodrigo Maia está deixando a presidência da Câmara dos Deputados, aparentemente, com uma derrota fantástica. Ele passou muito tempo no cargo, tinha uma liderança forte, se posicionou muito bem em vários momentos, em outros foi crítico ácido manteve distanciamento do Planalto. Teve equilíbrio para não colocar o impeachment em votação, mas nessa sucessão, perdeu o controle, deve ser derrotado fragorosamente. (Confira a coluna na íntegra)

Vera Magalhães: Bolsonaro recebe comando do Congresso

Jair Bolsonaro é considerado o pior líder mundial no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Sua popularidade está em queda em qualquer pesquisa de opinião que se olhe, em praticamente todos os estratos e regiões. Não existe vacina disponível para a grande maioria da população brasileira. A economia patina após um soluço de recuperação à custa de auxílio emergencial e a desigualdade, depois do mesmo soluço, é maior que no início da pandemia. Qual a resposta dos senhores parlamentares a esse estado de coisas? Simples: dar a este presidente o comando das duas Casas do Congresso. (Confira a coluna na íntegra)

Ascânio Seleme: Deputados devem eleger lado escuro da política

A eleição dos candidatos do governo significa aquilo mesmo que você temia. Instalado na sala que um dia foi ocupada por Ulysses Guimarães, o deputado Arthur Lira (lavagem de dinheiro, prevaricação, violência doméstica) vai destruir qualquer tentativa de criminalizar o governo Bolsonaro. Já avisou que vai enterrar CPIs e não quer nem ouvir falar em impeachment do presidente, embora ele tenha cometido mais de uma dúzia de crimes de responsabilidade. (Confira a coluna na íntegra)

Míriam Leitão: Hora de Maia abrir o impeachment já passou

Todos os olhares hoje estão voltados na eleição do Congresso. Bolsonaro está em uma situação confortável depois de fazer uma intervenção clara e direta na votação e chega com dois candidatos favoritos. Mas, se tratando de eleição na Câmara ou Senado, como o voto é secreto, pode haver alguma mudança. Já vimos isto no passado como nas vitórias de Davi Alcolumbre e Severino Cavalcanti. (Confira a coluna na íntegra)

Bernardo Mello Franco: 'Não vou indicar nem porteiro no governo', diz ACM Neto

O presidente do DEM, ACM Neto, está contrariado com a versão de que autorizou o partido a abandonar Rodrigo Maia em troca de mais cargos no governo Bolsonaro. Aliados de Maia consideram que ACM Neto rifou o ainda presidente da Câmara ao permitir que o DEM abandonasse a candidatura de Baleia Rossi. (Confira a íntegra da coluna)