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Fátima Meira/Futura Press

Fátima Meira/Futura Press

Eleições 2018: quem são os vices e como os candidatos pensam sobre o aborto

Os candidatos à Presidência da República se encontram no primeiro debate, hoje, às 22h, na Band, e vão discutir os principais assuntos e preocupações dos brasileiros como a resolução da crise econômica, a melhoria da segurança pública e questões mais polêmicas como legalização das drogas e a descriminalização do aborto. Sobre isso, você sabe o que seu candidato disse?

Dos 13 presidenciáveis, 8 participarão do evento (na ordem dos púlpitos da esquerda à direita): Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT). Ficaram fora os candidatos com menos de 5 deputados na Câmara (João Amoêdo, Novo; José Maria Eymael, DC; Vera Lúcia, PSTU; e João Goulart Filho, PPL), menos Marina que está bem posicionada nas pesquisas, e Lula, que está preso, em Curitiba, desde o dia 7 de abril por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Aborto

Sobre o tema, o portal Justificando reuniu as principais falas:

– Álvaro Dias: em entrevista à Revista IstoÉ, declarou que considera a legislação atual suficiente “porque já estabelece as excepcionalidades necessárias”. Já ao portal Universa, do Uol, admitiu que considera a pena de prisão para as mulheres que abortam um exagero: “Talvez alterar essa questão da prisão. Mas também é preciso trabalhar na prevenção, na educação”;

– Cabo Daciolo: em convenção nacional do partido, que oficializou sua candidatura, ele afirmou que é contra a descriminalização do aborto;

– Geraldo Alckmin: a assessoria de imprensa do candidato foi contatada pelo Justificando, mas o candidato não pode responder porque a “agenda dele está tomada por compromissos políticos”. Mas, em entrevista ao Roda Viva, em 2005, Alckmin afirmou que descriminalizar o aborto não seria “uma coisa absurda”, mas que não é o caminho. “O que eu acho que nós temos que fazer é planejamento familiar. Se deve fazer educação sexual, precisa começar mais cedo na escola. Esse é o caminho”. No ano seguinte, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, reafirmou a sua posição, defendendo não ser favorável à legalização: “Sou contra. Sou favorável ao planejamento familiar, acho que é possível fazer um projeto bem sucedido”;

– Marina Silva: “uma mulher que pratica aborto não deve ser presa”, afirmou, em entrevista à revista Marie Claire, a candidata da REDE. Apesar de se posicionar, pessoalmente, contra a interrupção da gravidez, Marina não acredita que as mulheres que abortam devam responder criminalmente. “Pelo contrário: deve ser acolhida, porque já está vivendo as dores e as marcas de um recurso extremo”. Em entrevista à jornalista Mariana Godoy, Marina Silva disse que, pessoalmente, é contra o aborto. No âmbito público, no entanto, defende que seja realizado um plebiscito sobre o assunto. “Numa democracia, é melhor que o debate aconteça com toda a sociedade, do que seja reduzido apenas ao congresso. O congresso tem legitimidade, mas esse é um tema muito abrangente, que envolve questões de natureza de saúde pública, ética, filosófica e religiosa”;

– Jair Bolsonaro: posiciona-se como um candidato “conservador em relação aos costumes” e é veementemente contra a legalização do aborto. “Qual mulher hoje em dia não conhece inúmeras formas de contraceptivo para não engravidar? Eu entendo que o corpo da mulher pertença a ela, mas aquela vida que tem dentro do seu útero, depois que o ovo se fixa na parede do útero, não pertence mais a ela”, declarou em entrevista à TV Tambau, filiada do SBT em João Pessoa, em fevereiro de 2017. “A mulher pode até morrer numa clínica clandestina, mas ela está matando alguém que ela gerou num momento de prazer”;

– Guilherme Boulos: em entrevista ao Justificando, o candidato do Psol afirmou que o aborto é um tema de saúde pública, cuja discussão deve ter as mulheres como protagonistas. “Ninguém gosta ou deseja abortar, mas se as mulheres decidirem pela interrupção da gravidez, precisam ter suas vidas protegidas. Isso significa ter uma saúde pública que acompanhe essa mulher desde o momento de tomar a decisão até o momento pós interrupção”. Para ele, existem apenas duas opções para o tema: ser a favor do aborto ilegal, ou a favor do aborto legal. “Não tem outra. Porque a realidade brasileira escancara todos os dias pra gente que a mulher vai fazer o procedimento, não importa como”, explica. “Descriminalizar não é liberar geral, na verdade é diminuir o índice de aborto, assegurar a vida das mulheres e acabar com a clandestinidade”;

– Henrique Meirelles: ao ser questionado sobre a legalização do aborto, no mês de junho, o pré-candidato do MDB se declarou, pessoalmente, contra o aborto no contexto de um “casamento ou namoro”. “No entanto, é algo que as pessoas têm o direito de fazer em situações dramáticas, como as de estupro ou de gravidez na adolescência. A lei tem que garantir esse direito”;

– Ciro Gomes: em mais de uma ocasião, o candidato Ciro Gomes (PDT), declarou que não é a favor do aborto, que considera “uma tragédia humana, moral, religiosa e de saúde pública”. No entanto, ele ponderou que, “no fundo, quem deve decidir sobre isso é a mulher”, e que o papel do Estado seria o de amparar e de oferecer alternativas. “As mulheres ricas que engravidam sem planejamento vão nas clínicas clandestinas caras e saem de lá muito bem. Mas as novas jovens negras, pobres, caboclas, apavoradas com o conservadorismo dos seus pais vão e fazem abortos com agulha de tricô e morrem”, disse à RedeTV. Em entrevista ao Roda Viva, no mês de maio, no entanto, assumiu uma posição mais ambígua, e disse que, como presidente, servirá apenas como mediador de conflitos: “Eu vou garantir a todos que nenhum tema será tabu, que todos os temas serão tratados, e que o presidente da república irá estimular o debate franco e aberto entre todos os grupos de opinião interessados no assunto”.

Vices

Outra polêmica nas eleições de 2018 foi a escolha dos vices à presidência. O nosso colunista Matheus Pichonelli reuniu, nesta semana, as principais informações sobre eles:
– Álvaro Dias escolheu Paulo Rabello de Castro, do PSC: o vice é economista e ex-presidente do BNDES, cargo que deixou em março deste ano. Mestre e doutor em Economia pela Universidade de Chicago, Rabello também foi presidente do IBGE. O economista de 69 anos havia sido anunciado como pré-candidato à presidência pelo PSC antes de fechar a chapa com Álvaro Dias;

– Cabo Daciolo está com Suelene Balduino Nascimento, também do Patriota: Suelene é pedagoga e atua há mais de 20 anos na rede pública de ensino do Distrito Federal enão tem experiência prévia na política;

– Geraldo Alckmin conta com Ana Amélia, do PP: com a aliada do PP, partido com mais nomes envolvidos na Lava Jato, Geraldo Alckmin (PSDB) opta pelo pragmatismo. Com discurso antipetista e proximidade de movimentos como o MBL, a senadora gaúcha certamente ajudará o candidato tucano a rivalizar com Jair Bolsonaro pelos votos conservadores, sobretudo no Sul, onde os tucanos vinham perdendo terreno. Ela, porém, não tem experiência no Executivo, não ajuda o ex-governador paulista a dialogar com os eleitores mais jovens e não estende qualquer ponte em direção a outros redutos onde o partido vai mal, como o Nordeste;

– Marina Silva segue com Eduardo Jorge, do PV: o vice reforça o projeto ligado à pauta ambientalista e confere um pouco mais de exposição a um partido nanico e rachado. Na última eleição, Eduardo Jorge angariou a simpatia dos eleitores pelo estilo despojado que rendeu muitos memes e poucos votos (0,6% do total). O recall do espólio não ganha jogo. Mas também não atrapalha;

– Jair Bolsonaro escolheu Antonio Hamilton Mourão, do PRTB: resultado de uma aliança com o PRTB, do incansável Levy Fidelix (o homem do aerotrem que, na última eleição, se enrolou após declarações homofóbicas em um debate), o vice da chapa faz Jair Bolsonaro parecer um líder progressista diante de suas posições, inclusive a defesa, sem rodeios, de uma intervenção militar no auge da crise política. Ambos nutrem simpatia pelo torturador Brilhante Ustra. Com a chapa militar puro-sangue, Bolsonaro reforça o apelo a um grupo muito específico do eleitorado já disposto a votar nele. E ajuda a dirimir a imagem de um militar malvisto pelos superiores em sua passagem pelo Exército, o que não parece ser um argumento suficiente para diminuir sua rejeição fora do nicho ou convencer um eleitor indeciso a dar a ele um voto de confiança;

– Guilherme Boulos está com Sônia Guajajara, também do PSOL: a líder indígena formada em Letras, em enfermagem e especialista em educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão reforça a contraposição do candidato do PSOL, Guilherme Boulos, aos partidos tradicionais. Com ela, a legenda terá representantes dos movimentos populares do campo e da cidade, sinalizando a opção pelos pequenos produtores em um país onde a agricultura familiar corresponde a 50% da produção da cesta básica. Ambos, porém, são novatos em eleições, terão pouco tempo de exposição, e terão como desafio mostrar competitividade em uma campanha até aqui simbólica para demarcar posição e eleger uma bancada;

– Henrique Meirelles conta com Germano Rigotto, colega do MDB: Com o ex-governador gaúcho, Henrique Meirelles, também do MDB, traz um pouco mais de experiência à sua primeira disputa presidencial. A chapa puro sangue não ajuda a expandir o tempo de exposição, mas garante a ele um nome importante do partido que não está diretamente associado ao núcleo central de um governo marcado pela Lava Jato e pela impopularidade, não exatamente nesta ordem. Ele deve ajudar Meirelles a conversar com outra plateia que não as áreas VIPS onde costuma discursar. Será difícil, no entanto, expandir os votos para além da região Sul-Sudeste;

– E Ciro Gomes que segue com Kátia Abreu, também do PDT: A senadora do Tocantins, dizem aliados, ajuda a atrair setores do agronegócio e o eleitorado feminino a Ciro Gomes. Ou melhor: ajuda a conter a rejeição do eleitorado feminino ao candidato marcado por declarações consideradas agressivas. Será? É verdade que a aliada foi uma combativa defensora de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment no Congresso. Mas, ao mesmo tempo, a ex-presidente da Confederação Nacional da Agropecuária (CNA), que já foi filiada ao DEM, tem no currículo o troféu Motosserra de Ouro, concedido pela ONG Greenpeace a personalidades que mais contribuem para o desmatamento no Brasil. Isso provoca um curto-circuito entre os eleitores que identificam a candidatura do ex-governador do Ceará como uma opção à esquerda. A chapa puro-sangue não acrescenta um segundo a mais na já minguada exposição de Ciro na TV. Nem promete um manancial de votos. Neste ano, Katia Abreu tentou se eleger governadora na eleição suplementar no Tocantins e, com 15% dos votos, não foi sequer para o segundo turno.

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