Eleições 2020: 68 candidatos que usaram o nome Bolsonaro não se elegeram

Gabriela Oliva*
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RIO - O desempenho fraco do bolsonarismo nas eleições foi sentido pelos parentes do clã Bolsonaro. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultados pelo GLOBO, dos seis integrantes da família do presidente, apenas um foi eleito: Carlos Bolsonaro (Republicanos). O filho ''02'' de Jair Bolsonaro conquistou neste domingo seu sexto mandato como vereador do Rio de Janeiro, mas perdeu o posto de mais votado da cidade para Tarcísio Motta (PSOL), que havia ficado na segunda posição em 2016. Leia:Quem são os vereadores eleitos no Rio

Entre os familiares do presidente que não foram eleitos está a ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Carlos, Rogeria Bolsonaro (Republicanos), que teve pouco mais de 2 mil votos no município do Rio e não conseguiu se eleger. No Instagram, ela postou uma mensagem sobre a "dor da derrota".

No interior de São Paulo, dois primos distantes de Bolsonaro não tiveram sucesso nestas eleições. Marcos Bolsonaro (PSL) concorreu à Prefeitura de Jaboticabal e teve apenas 4,01% dos votos. Já o odontólogo Marcelo Bolsonaro (DC) foi candidato a vice-prefeito em Itu na chapa do Capitão Dias, que foi derrotada por Guilherme Gazzola, reeleito pelo PL. Confira: Maioria dos candidatos apoiados por Bolsonaro fica fora do segundo turno

Também no interior de São Paulo, a servidora pública Joseane Bolsonaro (MDB) concorreu em Taiúva para vereadora. Assim como o corretor Daniel Bolsonaro Vaz (PSL), em Campinas. Ambos são primos distantes do presidente e não conseguiram a quantidade suficiente de votos.

Segundo os dados do TSE, outros 63 candidatos que adotaram o sobrenome Bolsonaro, mesmo sem ter relação de parentesco com o presidente não foram eleitos no último domingo (15). Todas as cinco regiões do país tiveram candidatos com o sobrenome "Bolsonaro".

São Paulo lidera a lista com 21 "Bolsonaros", seguido do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, respectivamente, com seis e cinco candidatos. Mais votado: Tarcísio, do PSOL, é campeão de votos e bate Carlos Bolsonaro entre vereadores do Rio

A especialista em marketing político Fernanda Galvão explica o motivo da falta de adesão dos eleitores aos "Bolsonaros":

— O primeiro fator que pode explicar esse fenômeno é que a transferência de votos não é automática. Um exemplo claro disso é que Bolsonaro não conseguiu capitalizar a ex-mulher, Rogeria, que foi a primeira pessoa que ele lançou na política, no final dos anos 1990. O caso do Carlos atualmente pode ser lido como um candidato que possui a sua própria base de eleitores, que é do mesmo estilo dos eleitores do pai, mas não necessariamente é uma transferência de votos — explica.

Segundo Fernanda, o clima das eleições municipais também pode ter colaborado para a não eleição dos "Bolsonaros":

— Em 2018, o que moveu os eleitores na direção dos candidatos bolsonaristas foi o medo de o PT reassumir o poder. Este medo, hoje, diminuiu. O resultado das urnas mostrou uma caminhada do eleitorado na direção do centro — afirmou a especialista, complementando: — Outro fator que pode explicar tem a ver com a condução do presidente sobre as políticas públicas de recuperação econômica e a pandemia do novo coronavírus. As pessoas estão sentindo, no dia a dia, os efeitos destes dois fenômenos e a prova disso é o seu índice atual de rejeição.

(Estagiária sob supervisão de Leila Yousseff e Fernanda Krakovics)