Eleições 2020: Ao menos 8 cidades terão prefeitos indígenas; saiba quais são

Rodrigo de Souza
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RIO — Ao menos 14 cidades brasileiras serão administradas por prefeitos ou vice-prefeitos indígenas eleitos na disputa do último domingo. Outras 88 terão ao menos um vereador índio. As eleições municipais de 2020 tiveram o maior número de candidaturas indígenas da História: foram 2.217 candidatos nos 5.568 municípios do país — um aumento de 27% em relação a 2016. Os dados são da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).Eleições 2020:Perdeu a chance de votar no primeiro turno? Saiba aqui como participar do segundo

Em 2016, o número de prefeitos indígenas eleitos foi 6. O aumento reflete a quantidade de candidaturas indígenas nas eleiçõesQ municipais de 2020, a maior da História. Foram 2.217 candidatos a vereador e a prefeito nos 5.568 municípios — um aumento de 27% em relação ao último pleito.

No entanto, apenas 6% desses candidatos se elegeram este ano. Um baixo nível de elegibilidade, decorrente da falta de visibilidade e da dificuldade de acesso aos recursos partidários.

De todos os indígenas eleitos, 145 foram votados para o cargo de vereador, oito para o cargo de prefeito e seis para o cargo de vice-prefeito, segundo a Campanha Indígena, uma iniciativa da Apib para promover candidaturas de índios. Saiba mais:Quais são as 18 capitais que terão 2º turno nas eleições 2020

Das oito cidades que terão indígenas na chefia do Executivo, três ficam no Nordeste, três no Norte e uma no Sudeste. Uma candidatura sub judice numa cidade do Pernambuco pode dar ao Nordeste seu quarto prefeito indígena, totalizando oito pelo Brasil.

Em Pariconha, Alagoas, Tony de Campinhos (PP) teve 61% dos votos válidos. Em Marcação, Paraíba, a candidata Lili (DEM) se elegeu com 54%. No município de Entre Rios, Bahia, Manoelito Argolo Junior (Solidariedade) teve 44%. Em Pesqueira, Pernambuco, o candidato Cacique Marquinhos (Republicanos) conquistou 51% dos votos, mas teve a candidatura impugnada e busca na Justiça o exercício do mandato. Com três eleitos e uma candidatura sub judice, o Nordeste poderá ter o maior número de prefeitos indígenas do Brasil durante os próximos quatro anos.

Em Roraima, Dr. Raposo (PSD) se elegeu prefeito da cidade de Normandia com 24% dos votos, e Tuxaua Benisio (Rede) venceu a corrida em Uiramutã com 42%. No Acre, Isaac Piyako (PSD) levou a prefeitura de Marechal Thaumaturgo com 53%.

No Sudeste, apenas uma cidade elegeu um prefeito indígena no primeiro turno. Em São João das Missões, Minas Gerais, Jair Xakriabá (Republicanos) ficou com 54% dos votos.

Todos os municípios mencionados têm menos de 200 mil habitantes, portanto em nenhum houve segundo turno.

O efeito da pandemia

"O aumento da população indígena na participação das eleições municipais é concomitante ao aumento dos ataques aos seus direitos, em meio a pandemia de Covid-19", diz a Apib.

Para Dinaman Tuxá, coordenador executivo da organização, mais indígenas passaram a se interessar por política institucional em virtude de uma crescente necessidade de representação e de defesa a direitos. Segundo ele, “a pauta comum entre todos candidatos que é a retomada da demarcação dos territórios indígenas, ainda que tenham pontos de vista políticos distintos e sejam filiados a partidos diversos”.