Eleições 2020: disputa de irmão de Alcolumbre em Macapá é teste para presidente do Senado

Julia Lindner
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Assembleia Legislativa do Amapá

BRASÍLIA - Enquanto articula para buscar sua reeleição como presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) tem hoje uma disputa importante em sua base eleitoral. Seu irmão Josiel Alcolumbre (DEM) concorre à prefeitura de Macapá, em pleito adiado devido ao apagão que o estado do Amapá enfrentou em novembro. Josiel lidera, mas perdeu fôlego após o blecaute e deve haver segundo turno.

De acordo com a última pesquisa Ibope divulgada, Josiel tem 28% dos votos válidos, seguido por Dr. Furlan (Cidadania), com 14%; Patrícia Ferraz (Podemos), 13%; João Capiberibe (PSB), 13%; Cirilo (PRTB), 10%; Guaracy (PSL), 9%; e Paulo Lemos (PSOL), 7%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar do blecaute ter provocado transtornos em diversas áreas de Macapá, o episódio não é tratado como tema central do debate. As campanhas têm se dividido principalmente entre aqueles que se colocam como mais experientes e os que dizem ser nomes da renovação.

Nome da continuidade

Josiel Alcolumbre se apresenta como o candidato da continuidade. Nas últimas semanas, ele intensificou agendas públicas com o atual prefeito de Macapá, Clécio Luís (sem partido), que é bem avaliado na cidade. “O Clécio fez, o Josiel vai fazer mais”, diz uma das peças publicitárias de Josiel.

O candidato do DEM é suplente do irmão Davi no Senado e já reforçou diversas vezes que a sua influência junto à bancada de Brasília será relevante para o mandato. Apesar disso, o presidente do Senado não aparece no vídeo da campanha que conta parte da história de Josiel na infância e tem a participação de outros dois irmãos dele.

Embora tenha viajado a Macapá e participado de atos nos bastidores, a imagem de Davi Alcolumbre não foi tão explorada. Aliados da família citam dificuldade de agenda, mas o presidente do Senado também tentou afastar nos últimos meses a leitura de que a eleição do irmão fazia parte de seu projeto para 2022.

Davi Alcolumbre foi criticado no auge da crise energética no Amapá ao dizer que Josiel foi “o maior prejudicado com o apagão” porque poderia vencer o pleito no primeiro turno das eleições.

Depois da crise energética no estado, candidatos com o mote da renovação cresceram. Dr. Furlan fez críticas à gestão do problema pelas autoridades e vinculou isso ao aumento de casos de Covid-19. Já Patricia Ferraz afirma que os macapaenses “não aguentam mais o abandono total” pela atual administração.

Ex-governador e ex-prefeito, João Capiberibe (PSB) foca em suas experiências anteriores. “Governamos Macapá (1989-1992), governamos o Amapá (1994-2002), sem Polícia Federal em nossa porta. Sim! Somos diferentes! Somos da transparência e da gestão compartilhada!”, publicou nas suas redes sociais.