Eleições 2020: Leia o perfil dos principais candidatos à Prefeitura de São Paulo

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Foto: Editoria de Arte
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A campanha eleitoral em São Paulo chega à reta final com quatro candidatos em condições mais sólidas de alcançar o segundo turno. Um deles, o prefeito Bruno Covas (PSDB), com uma margem confortável na liderança das pesquisas de intenção de voto. Os outros três – Guilherme Boulos (PSOL), Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB) em empate técnico na disputa pela segunda vaga. Todos apostam em trunfos para turbinar uma arrancada final, mas também lidam com fantasmas que podem atrapalhar esses planos.

Covas defende a boa avaliação de seu desempenho durante a pandemia, enquanto tenta lidar com o fato de ter sido o vice de João Doria, mal avaliado na capital. Boulos conseguiu unificar boa parte do voto no campo da esquerda, praticamente tirando Jilmar Tatto (PT) da disputa, mas ainda lida com a baixa popularidade na periferia, justamente o público alvo de suas propostas. Russomanno se apoia na parceria com Jair Bolsonaro, que o elegeu seu candidato em São Paulo na tentativa de derrotar Doria: o problema é que, paradoxalmente, a rejeição do presidente pode estar levando-o a derreter nas pesquisas pela terceira eleição seguida. Já França tenta se equilibrar como o candidato sem padrinho político e sem espectro ideológico específico (é considerado à direita em um partido de esquerda), mas pode sofrer com o fato de que também não carrega uma marca forte.

Confira abaixo a trajetória pessoal e política dos quatro postulantes ao Edifício Matarazzo.

Agosto havia acabado de começar e faltavam ainda alguns dias para a convenção que oficializaria a candidatura à reeleição de Bruno Covas (PSDB) em São Paulo. Na sala do apartamento do coordenador geral da campanha, Wilson Pedroso, o círculo de políticos mais próximos do prefeito discutia uma das questões mais delicadas para o projeto eleitoral tucano: como evitar que a rejeição ao governador João Doria na capital prejudicasse Covas.

Àquela altura, o prefeito, que participava da reunião, não liderava as pesquisas de intenção de voto e precisava de uma estratégia de comunicação bem-sucedida para chegar ao segundo turno. Foi naquela noite que Covas e sua equipe acertaram que seria pedido ao governador que ele se mantivesse distante da eleição paulistana. (Leia mais)

O marqueteiro de Celso Russomanno (Republicanos), Elsinho Mouco, tomou um susto quando se deparou com um ativista aliado do presidente Jair Bolsonaro no teatro da Faap, minutos antes de um dos últimos debates entre os candidatos de São Paulo. O “intruso” conseguiu acesso após exigir, em tom de ameaça, a pulseira VIP que estava com um assessor de Russomanno. Mesmo sob pretexto de que cumpria ordens do presidente, foi retirado do local. O episódio ilustra a difícil relação entre os responsáveis pela campanha e a ala bolsonarista que saiu tomando a dianteira das decisões.

Foi o ápice de uma escalada iniciada já no lançamento da candidatura, quando Bolsonaro trabalhou para influenciar a formação da chapa que ele acreditava que poderia derrotar o prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição com o apoio do governador João Doria (PSDB). (Leia mais)

Numa manhã de janeiro de 2019, dias depois da posse de Jair Bolsonaro, Guilherme Boulos se reuniu com a direção do PSOL e aliados do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) para reavaliar a sua estratégia de atuação política. Sentados à mesa da pequena sala de reuniões do escritório da empresa de comunicação que o havia assessorado na campanha presidencial, tentavam encontrar uma forma de reverter o mau desempenho que havia ficado como saldo da disputa eleitoral do ano anterior. Boulos ficou em décimo lugar, com 677 mil votos, o pior resultado de um candidato do PSOL na história.

Horas de discussão depois, concluíram que era preciso jogar no campo de batalha do inimigo. A partir dali, o líder do movimento dos sem teto se empenharia para tentar virar o anti-Bolsonaro das redes sociais. (Leia mais)

Quando a campanha eleitoral começou, Márcio França (PSB) fazia piada com o seu temor a respeito de um segundo turno entre o prefeito Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomanno (Republicanos):

— Eu acho que vou para o Uruguai — brincava.

Àquela altura, as pesquisas em São Paulo traziam o candidato de João Doria e o do presidente Jair Bolsonaro à frente dos demais concorrentes, e o pessebista repensava suas chances. De lá para cá, o panorama mudou. Com o pleito se aproximando, o desempenho o colocou em empate técnico com Russomanno e Guilherme Boulos (PSOL) na disputa por uma vaga na próxima fase da eleição. De azarão, virou postulante ao segundo turno.

A atual eleição, aliás, representa uma espécie de terceiro turno para França. A dolorosa derrota para Doria há dois anos é a principal força que move o candidato: há mapas com o resultado eleitoral de 2018 no comitê, e ele guarda no celular a imagem de onde ganhou e perdeu na cidade naquela disputa. Em seu caso, a vitória significa não só a eleição, mas também também dificultar os planos de Doria pela Presidência em 2022.