Eleições 2020: Leia o perfil dos principais candidatos à Prefeitura do Rio

O Globo
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Editoria de Arte
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RIO — No jargão de analistas políticos, uma eleição é "fria" quando pouco se altera ao longo da campanha o cenário apontado pelas pesquisas. Estatística à parte, a corrida de Eduardo Paes (DEM), Marcelo Crivellaadsgs (Republicanos), Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT) pela prefeitura do Rio, embora praticamente estável desde o início, teve seus momentos de calor — muitos deles devido a posturas distintas dos quatro candidatos, por vezes opostas, levando a inevitáveis choques, cujo efeito será medido pelas urnas neste domingo.

Líder isolado desde os primeiros levantamentos, com vantagem ampliada nas últimas semanas, Paes se cercou de cuidados para evitar outra surpresa como a vivida na eleição de 2018, quando a dianteira em toda a campanha se esfarelou na "onda Witzel" às vésperas do primeiro turno. A informalidade típica do ex-prefeito passou a ser dosada, para evitar escorregões que pudessem ser explorados pelos adversários, especialmente Martha, cujo crescimento em meados de outubro chegou a preocupar Paes.

Enfrentando ataques intensos de Paes e também de Crivella, Martha esquentou a propaganda eleitoral nos contragolpes aos dois adversários, em tom que contrastou com sua serenidade habitual, cultivada em longa carreira na Polícia Civil. Crivella, em busca da reeleição e com alto índice de rejeição, também remodelou discurso e postura: no lugar do candidato que tentava se desvencilhar do perfil evangélico em 2016, entrou um prefeito com forte apelo religioso e ao bolsonarismo. Benedita, cuja trajetória se equilibra entre fé e política, origem humilde e altos cargos na administração pública, procurou levar de tudo um pouco para uma campanha que é tida como grata surpresa nas fileiras petistas. Após o choque de quatro perfis no primeiro turno, a tendência é que dois deles sigam na disputa até o segundo turno, no dia 29 de novembro.

Eduardo Paes (DEM)

Aos 51 anos, Paes sabe exatamente o que explica a derrota sofrida na eleição passada para o governador afastado Wilson Witzel (PSC): as acusações de corrupção com empreiteiras que sofre na Justiça pelos seus dois mandatos como prefeito entre 2008 e 2016; a ligação com o ex-governador Sérgio Cabral, preso e condenado a mais de 300 anos de prisão; e o tal “lado Maricá” que às vezes vem à tona com uma gafe ou piada que desconforta o interlocutor.

Se num passado não muito distante Paes teve de pedir desculpas por expressões machistas, nesta campanha o ex-prefeito se blindou para ter erro zero. Escondeu agendas da imprensa, economizou nas declarações e, com isso, evitou polêmicas que mancharam sua reputação nos últimos anos (pesquisas durante a campanha mostraram a sua rejeição em cerca de 30%). (Leia mais)

Marcelo Crivella (Republicanos)

Foi em um reunião do último domingo, dia 8, na Zona Oeste do Rio, com cerca de 70 candidatos a vereador de oito partidos que ficou exposta a tônica da campanha do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), candidato mais rejeitado do país, segundo as pesquisas de intenção de voto feitas ao longo dos últimos 45 dias. De um lado, um Crivella incomodado cobrava maior empenho dos políticos em pedir votos para a sua reeleição. Por outro, a reclamação era geral sobre a prioridade dada ao material de campanha do prefeito para candidatos ligados ao presidente Jair Bolsonaro.

Ligar-se ao Palácio do Planalto com um discurso conservador e contra a esquerda foi a principal estratégia de campanha de Crivella desde outubro, a despeito de ter sido ministro da Pesca de Dilma Rousseff e integrado a base do governo Lula no Senado. (Leia mais)

Marta Rocha (PDT)

Filiada a um partido que só conseguiu ser competitivo no estado em um passado muito distante, com nomes como Leonel Brizola, Saturnino Braga e Anthony Garotinho, Martha Rocha já estava satisfeita se pudesse sair maior do que entrou da campanha. Veio, no entanto, o debate da Band em 1° de outubro, o único da disputa, e a repercussão do seu desempenho estimulou o PDT — além da própria candidata — e ligou o alerta dos seus principais concorrentes.

A parlamentar de 61 anos, com mais da metade da vida na Polícia Civil do Rio e no segundo mandato como deputada estadual, passaria de estilingue a vidraça, com direito a ter o passado revirado pelas campanhas rivais. Conforme foi crescendo nas pesquisas, chegando a empatar pela margem de erro em segundo lugar na disputa, Martha viveu o ônus de ser o fato novo da vez na política carioca. Ou seja, de ter o seu histórico exibido ao público como novidade, enquanto tudo o que se falava sobre Eduardo Paes, Marcelo Crivella e Benedita da Silva soava como mais do mesmo. (Leia mais)

Benedita da Silva (PT)

Aos 78 anos, Benedita da Silva é figura rara na esquerda brasileira, por conseguir ter entrada no segmento evangélico, segmento que hoje atinge mais de 30% do eleitorado e é predominantemente vinculado à agenda do presidente Jair Bolsonaro.

Filha de mãe umbandista, a petista foi da Assembleia de Deus do Leblon e agora é da Igreja Presbiteriana — ela admite certa incompreensão do PT a temas envolvendo os evangélicos. Assessores afirmam, inclusive, que Benedita sofre preconceito de quadros petistas em função da sua religiosidade e por dizer abertamente que é uma “PTcostal” (referência ao pentecostalismo, corrente evangélica que abriga os mais importantes líderes do setor no país). Sua fidelidade à crença a afasta do Carnaval como o prefeito Marcelo Crivella. Ela costuma fazer um retiro espiritual todo ano. (Leia mais)