Eleições 2020: PF faz buscas nas casas de Jerominho e Natalino em operação contra milícia na eleição do Rio

Daniel Biasetto e Filipe Vidon
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RIO - Agentes da Polícia Federal cumprem, na manhã desta quinta-feira, 12 mandados de busca e apreensão relacionados a Operação Sólon em residências, comitês de campanhas e empresas ligadas à prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais. Na investigação, foi identificado que integrantes de uma das maiores milícias do Rio de Janeiro estariam almejando cargos no legislativo e no executivo, nas eleições de 2020, para retomar poder que possuíam na Zona Oeste do Município. Entre os alvos da operação estão os irmãos José Guimarães Natalino e Jerônimo Guimarães Filho, pontados como fundadores da Liga da Justiça.

Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras atípicas em empresas ligadas aos investigados a partir da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs). Segundo a PF, esses recursos possivelmente seriam destinados para gastos de campanhas eleitorais.

Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral, divisão especializada em crimes praticados por organização criminosa, de lavagem de dinheiro e outras infrações relacionadas a crimes eleitorais.

De acordo com a PF, não houve a realização de prisões em respeito às regras da Justiça Eleitoral, que proíbe o cumprimento de mandados de prisão de candidatos a menos de 15 dias para o pleito e de eleitores a menos de 05 dias do dia de votação.

Um dos alvos da operação foi o ex-deputado estadual José Guimarães Natalino, já condenado por chefiar a maior milícia do Rio. Natalino já foi preso em um megaoperação da Polícia Civil que apreendeu um fuzil, duas escopetas, uma submetralhadora, quatro pistolas e dois revólveres no local, apontado como QG do grupo paramilitar que dominava a Zona Oeste. No mesmo dia, houve tiroteio entre milicianos e policiais, e alguns integrantes do grupo conseguiram fugir.

O irmão de Natalino, Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, também foi alvo os agentes da PF. Ele chefiava a operação da milícia na Zona Oeste que se espalhou sob o comando de policiais e políticos. Vereador por duas legislaturas, foi preso em 2008 acusado de chefiar o grupo. Os irmãos foram soltos em 2018, após quase 11 anos na cadeia.

Ex-vereador, Jerominho desistiu de sua pré-candidatura à prefeitura do Rio, mas a família continuou representada na disputa. A sobrinha, a advogada criminalista Jéssica Natalino, de 29 anos, concorre ao cargo de vice-prefeita pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), na chapa liderada pela presidente da legenda, Sued Haidar.

Ao anunciar a desistência em um vídeo, Jerominho, de 71 anos, explicou que desistiu de concorrer à prefeitura do Rio por conta de problemas de saúde: “Apesar de eu ter desistido em virtude da minha doença no coração, a Zona Oeste continua forte, continua coração valente. E Sued Haidar pode fazer um grande trabalho já que aqueles prefeitos anteriores nada fizeram e os que estão vindo aí vão continuar na mesma de nada fazer”, afirmou.

Os agentes apreenderam dinheiro em espécie e material de campanha de Carmen Gloria Guinancio Guimaraes Teixeira, a Carminha Jerominho, filha de Jerominho. Ela disputa uma vaga na Câmara de Vereadores também pelo PMB.

As investigações da PF determinaram que os criminosos utilizavam as redes sociais para escolher os candidatos para concorrer nas eleições. Enquetes eram realizadas entre os membros do grupo, que votavam em seus preferidos e depois ainda financiavam e patrocinavam a campanha eleitoral dos escolhidos e ajudaram na disseminação de informações falsas sobre as eleições.