Eleições 2020: saiba quem são Jerominho, Carminha e Natalino, alvos de operação da PF

Rayanderson Guerra
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Em meio à tentativa de volta do clã Jerominho ao cenário político fluminense, quatro dos nomes mais influentes da família foram alvos de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira. O patriarca Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, de 71 anos, ex-vereador preso acusado de fundar a maior milícia do estado; seu irmão, José Guimarães Natalino; Carminha Jerominho, filha de Jerominho que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) e Jéssica Natalino, candidata à vice na chapa de Suêd Haidar à Prefeitura do Rio, foram alvos da operação. A relação da família Jerominho com a política no Rio de Janeiro é antiga.

Jerominho estava preso no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, desde dezembro de 2007, e foi absolvido e solto em outubro de 2018 após 11 anos encarcerado. Ele era acusado de ser o mandante da morte do motorista de van Rodrigo Costa, em 2005, em Campo Grande. A vítima sobreviveu ao ataque. Jerônimo foi acusado, no início dos anos 2000, de comandar a maior milícia do Rio.

Após sair da prisão, o patriarca da família ensaiava voltar à política, como vice de Suêd na disputa à Prefeitura do Rio. A candidatura não avançou e Jerominho deu espaço para a sobrinha Jéssica compor a chapa com a candidata do PMB.

A filha de Jerominho, Carminha também busca uma redenção na política. Nesta campanha, ela tenta voltara à Câmara de Vereadores após 11 anos. Em 2008, a filha de Jerominho chegou a ser eleita mesmo estando presa após ser acusada de usar a milícia para coagir eleitores na Zona Oeste.

Carminha se elegeu de dentro da penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. Um ano depois da prisão e de ser eleita, a herdeira do clã foi cassada por arrecadação irregular de verba, mas voltou ao cargo em 2011 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em 2012, ela tentou ser reeleita, e perdeu.

O irmão e braço direito de Jerominho, Natalino José Guimarães, assim como o patriarca do clã, também ficou preso por uma década em presídios federais. Assim como o irmão, Natalino foi absolvido da acusação.

Natalino é ex policial militar e foi apontado pela CPI das Milícias, ao lado do irmão, Jerominho, como responsável por chefiar uma milícia na Zona Oeste, a maior da cidade. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a quadrilha atuaria em Campo Grande, Guaratiba, Paciência, Cosmos, Santa Cruz e outros bairros da região e usava o símbolo do Batman para marcar as casas e estabelecimentos comerciais que pagavam por seus “serviços”. Ambos negam as acusações.

O político chegou a ser eleito deputado estadual em 2006. Após ser preso em 2008, acabou expulso de seu então partido, o DEM. Para evitar a cassação, renunciou ao cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em novembro de 2008, para evitar a abertura de seu processo de cassação.

Com a desistência de Jerominho de voltar à político na disputa eleitoral deste ano, o patriarca escalou a sobrinha, Jéssica Rabelo Guimarães, filha de Natalino, para concorrer ao lado da candidata do PMB, Suêd Haidar.

Advogada criminalista, Jéssica, de 29 anos, está grávida de seis meses e a previsão para o nascimento do primeiro filho, que terá o mesmo nome do avô, é novembro, mês da eleição.

Essa é a primeira vez que Jéssica disputa um cargo público. Em entrevista ao GLOBO, Suêd afirmou que Jéssica é uma "advogada, uma mãe, trabalhadora e jovem que vai fazer uma boa governança, humanista", caso fosse eleita e rejeitou qualquer ligação com a milícia.