Eleições 2020: Taxa de reeleição de prefeitos é a maior em 12 anos

Pedro Capetti
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Hermes de Paula / Agência O Globo

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Hermes de Paula / Agência O Globo

RIO - A eleição de 2020 ficará marcada como o pleito do continuísmo dos incumbentes. Com a apuração de 99,5% dos urnas em todo o país, o percentual de prefeitos que conquistaram um segundo mandato é a maior desde 2008. Até o momento, 63% dos candidatos tentaram a reeleição obtiveram êxito.

O levantamento considera aqueles candidatos que se mantiveram no cargo durante os quatro anos entre uma eleição e outra.

O cenário mostra uma transformação da fotografia política em quatro anos. Em 2016, o percentual de reeleição foi o menor da história, desde a possibilidade de reeleição. Na oportunidade, menos da metade dos prefeitos que concorreram novamente ao mesmo cargo foram bem sucedido, de 47%.

O retrato eleitoral indica que discursos radicais de antipolítica, uma das principais marcas do pleito de 2018, não teve força relevante no país em 2020. O histerismo que embalou candidaturas bem-sucedidas há dois anos foi ofuscado agora - as mudanças no jogo partidário envolveram mais a reorganização de atores políticos tradicionais do que o surgimento de outsiders.

Com os resultados de momento, o percentual de 2020 está abaixo apenas do pleito de 2008, quando 66% dos prefeitos conseguiram renovar o mandato.No entanto, esse percentual poderá ser atingido com a conclusão da contabilizaçao dos votos pelo TSE.

Naquela oportunidade, os municípios e a economia estavam em cenário positivo, favorecendo aqueles que estavam no poder. Desta vez, outros fatores explicam esse cenário positivo ao continuísmo.

Cientistas políticos afirmaram durante a campanha que a pandemia ajudou os prefeitos a aumentaram a visibilidade do trabalho desenvolvido. Quem trabalhou bem, se deu bem e conseguiu converte ra aprovação da gestão em votos.

Além disso, foram eles que formaram as maiores coligações, numa eleição com recorde de candidaturas. Os melhores padrinhos, por sua vez, foram os próprios prefeitos, e não governadores ou o presidente Jair Bolsonaro.

Em cinco capitais, por exemplo, a reeleição dos prefeitos aconteceu em primeiro turno, como em Curitiba (PR), com Rafael Greca (DEM); em Belo Horizonte, com Kalil (PSD); em Campo Grande (MS), com Marquinhos Trad (PSD); em Natal (RN), com Álvaro Dias (PSDB); e em Florianópolis (SC), com Gean Loureiro (DEM).

Outro fator foi a campanha mais curta desde a redemocratização e limitações para se fazer campanha. A falta de debates na televisão e o curto espaço de campanha favoreceram os candidatos à reeleição.

Sem espaços para que os novos possam desconstruir e construir a oposição aos candidatos da situação, fazer-se conhecido ficou cada vez mais restrito aos neófitos.

Das 13 cidades onde os atuais prefeitos tentam um novo mandato, somente em uma, Porto Alegre (RS), o candidato sequer passou para o segundo turno. Na capital gaúcha, o tucano Nelson Marchesan não conseguiu chegar ao segundo turno, ficando apenas com 21% dos votos válidos.

Marchesan passou a incluir a seleta lista de prefeitos que tentaram a reeleição e sequer chegaram ao segundo turno. Desde 2004, 27 prefeitos estiveram nessa situação.