Eleições 2022: Lula diz que usará 2° turno para comparar gestão dele à de Bolsonaro

Lula durante discurso após o primeiro turno
Lula afirmou que vai comparar o Brasil de quando ele governava com a atual gestão de Bolsonaro

Em discurso após o resultado do primeiro turno das eleições, o candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai comparar o Brasil de quando ele governava com a atual gestão de Jair Bolsonaro (PL).

"Vamos deixar o segundo turno para a gente poder medir, fazer comparações entre o Brasil que ele construiu com o Brasil que nós construímos. O nosso período de governo, da qualidade de vida do povo com o que o povo tem hoje. Eu quero dizer para vocês que eu começo amanhã a fazer campanha", disse em discurso a apoiadores em São Paulo.

O ex-presidente afirmou que vai usar os números para comparar as gestões e convencer o eleitorado a votar nele.

"Vocês sabem que o nosso país está pior. Você sabe que a economia não está boa. Que a qualidade de vida não está boa, que a renda não está boa, que o emprego não está bom, que essa onda não está boa e que nós precisamos recuperar esse país inclusive no ponto de vista das suas relações internacionais. Portanto, para a desgraça de alguns, eu tenho mais 30 dias para fazer."

"O segundo turno é a chance de você amadurecer as propostas e a sua conversa com a sociedade. De você construir um leque de alianças e de apoio antes de você ganhar para mostrar ao povo o que vai acontecer e quem vai governar esse país. Vamos nessa."

Lula ainda brincou que, caso vencesse no primeiro turno, tiraria três dias de folga para fazer uma "lua de mel" com a mulher, mas falou que está empolgado com a campanha.

"Eu adoro fazer campanha, adoro ir para a rua, subir em caminhão, discutir com a sociedade brasileira. E vai ser importante porque vai ser a primeira chance de fazer um debate tête-à-tête com o presidente da República. Para saber se ele vai continuar contando mentiras ou se vai pelo menos uma vez na vida falar a verdade com o povo brasileiro. Eu acho que é uma chance que o povo brasileiro me dá. 'Ah, Lula, eu acho que aquele debate não valeu muito porque aquele debate tinha gente estranha'", afirmou.

Lula afirmou que gostaria de ter vencido no primeiro turno — o que seria inédito na vida política dele —, mas que "isso para nós é apenas uma prorrogação" e que vai aproveitar o período para fazer alianças.

"A gente vai avaliar bem o que está acontecendo hoje. A gente tem que lembrar o que estava acontecendo quatro anos atrás. Eu era tido como se fosse um ser humano jogado fora da política. Eu disse que eu retornaria com uma força, com uma vontade, uma disposição. Porque a única razão da gente parar de lutar é o dia que o povo brasileiro quiser outra centenas de lideranças que consiga fazer o que precisa para que eles melhorem de vida".

Segundo turno

A eleição presidencial será decidida em segundo turno após um primeiro turno com uma diferença mais apertada do que previam as principais pesquisas de intenção de voto.

No primeiro turno, com 99,84% das urnas apuradas, Lula (PT) estava em primeiro com 57.129.128 votos (48,39% do total dos votos válidos) e Bolsonaro, em segundo, tinha 51.041.185 votos (43,23% dos válidos) — o Tribunal Superior Eleitoral já considerava, então, a eleição matematicamente encaminhada para um segundo turno.

Bolsonaro chega ao segundo turno com uma tarefa inédita na história eleitoral brasileira: ultrapassar o primeiro colocado e vencer a disputa.

Serão quase quatro semanas até a próxima votação, em 30/10.

Nesse período, Lula disse que vai "tentar mapear o Brasil e ver em quais regiões nós teremos que andar". E destacou a importância de conquistar mais votos dos paulistas.

"São Paulo será o grande palco de um confronto nacional e estadual. Um confronto de ideias, um confronto programático e um confronto de propostas para a sociedade. E estou disposto a fazer tudo o que for possível. Tenho certeza de que nós dois juntos vamos ganhar São Paulo e vamos ganhar o Brasil. Por isso que nós vamos precisar de vocês. Disposição para andar atrás de nós, descrever aquilo que a gente fala, tirando as bobagens. Eu estou à inteira disposição. Vamos sair daqui e ir para a Paulista porque tem gente lá e nós vamos conversar com o povo."

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63112979

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