Eleições americanas: Biden nega acusações de agressão sexual

(Arquivo) O ex-vice-presidente americano Joe Biden

O candidato democrata à eleição presidencial dos Estados Unidos, Joe Biden, negou nesta sexta-feira as acusações de violência sexual feitas por uma ex-colaboradora, que remontam à década de 1990.

Essas alegações "não são verdadeiras. Isso nunca aconteceu", disse o ex-vice-presidente dos EUA em um comunicado.

Biden vinha sendo pressionado a responder pessoalmente às acusações de Tara Reade, de 56 anos, que trabalhou em seu gabinete no Senado nos anos 1990.

Reade contou em um podcast em março que o então senador Biden a violentou sexualmente em um corredor do Capitólio, onde fica o Senado americano, em 1993. Na época, ela tinha 29 anos.

Ele a prendeu contra a parede enquanto ela o entregava uma bolsa de ginástica, e em seguida colocou suas mãos por baixo da sua saia e a violentou, disse Reade, agora com 56 anos.

Desde então, ela tem contado esse relato à mídia, e fez um relatório de incidente junto à polícia de Washington, no início de abril. No documento, no entanto, ela não identificou Biden.

Outras mulheres já acusaram o ex-vice-presidente de assédio no passado, e as acusações iniciais de Reade lembram o que já foi relatado - mas menos severas do que ela recentemente tem contado.

Biden participou de alguns programas de tv matinais para se defender das acusações.

"Não é verdade. Continuo dizendo que isso nunca aconteceu, e não aconteceu", ele contou à MSNBC.

"Eu não sei porque depois de 27 anos isso foi levantado", Biden acrescentou.

"Mas eu quero saber o motivo dela. Não quero atacá-la", disse.

No entanto, ele ressaltou: "Eu tenho o direito de dizer, olhe os fatos. Analise-os".

Reade não forneceu uma cópia da queixa que ela fez em 1993.

Biden, pedindo transparência, afirmou ter pedido a autoridades para procurar o documento no Arquivo Nacional, onde segundo ele qualquer documento deve estar guardado.

"Não tenho nada a esconder", informou o candidato democrata.

Ele, no entanto, se mostra resistente à ideia da procura por provas sobre o assunto nos seus documentos do Senado, doados à Universidade de Delaware, no seu estado de origem.

Esses documentos "não têm assuntos pessoais", afirmou.

O candidato, que havia comentado sobre a possibilidade de escolher uma mulher para ser sua vice, ressaltou que durante toda a sua carreira política trabalhou para melhorar as condições às mulheres, incluindo a lei "Violence Against Women" (Violência contra a mulher, em português).

Biden foi questionado pela MSNBC sobre sua opinião durante o caso envolvendo Brett Kavanaugh, que foi acusado de assédio sexual em 2018.

Na época, o atual candidato disse que quando uma mulher apresenta acusações, "você tem que começar com a suposição de que ao menos a essência do ela fala é real".

Ele respondeu: "Deve-se acreditar nas mulheres, dado o benefício da dúvida, quando elas aparecem e contam que algo aconteceu com elas".

"Depois deve-se olhar para as circunstâncias e os fatos", finalizou.