Eleições italianas devem coroar Meloni como chefe do governo mais à direita desde a Segunda Guerra Mundial

Giorgia Meloni, líder do partido Irmãos da Itália, em comício em Milão, Itália

Por Crispian Balmer

ROMA (Reuters) - As eleições parlamentares da Itália no domingo podem ser históricas, dando ao país sua primeira primeira-ministra mulher à frente do governo mais à direita desde a Segunda Guerra Mundial.

O Irmãos da Itália (FdI), partido nacionalista de Giorgia Meloni, mal conseguiu 4% dos votos em 2018, mas deve obter cerca de 25% desta vez e impulsionar uma aliança de parceiros conservadores para uma clara maioria parlamentar.

"Existe uma ideia na Itália de que tentamos todos os outros, então vamos tentar com ela agora", disse Wolfango Piccoli, copresidente da consultoria de risco político Teneo.

Se Meloni for bem-sucedida, ela enfrentará uma série de desafios complexos, incluindo custos de energia crescentes, uma montanha sufocante de dívida, uma possível recessão e um conflito cada vez mais perigoso na Ucrânia.

A congressista de 45 anos, que promete repressão à imigração e corte de impostos, também terá grandes dificuldades para preencher a posição de seu antecessor.

O primeiro-ministro Mario Draghi, respeitado ex-presidente do Banco Central Europeu, foi visto como uma figura tranquilizadora pelos investidores internacionais, mas renunciou em julho após um motim dentro de seu governo de unidade nacional.

Ao contrário de todos os outros grandes chefes de partido, Meloni se recusou a se juntar à coalizão de Draghi e, em vez disso, viu sua popularidade disparar nas bancadas da oposição, onde denunciou habilmente as medidas dolorosas que o governo tomou para enfrentar a crise da Covid-19.

Meloni também pode acabar com uma maioria parlamentar muito menor do que os analistas previam quando o recesso de pesquisas entrou em vigor em 9 de setembro, ou até ficar um pouco aquém, abrindo caminho para o tipo de instabilidade política que regularmente aflige a Itália.

Dez dias atrás, o bloco de direita, que inclui a Liga, de Matteo Salvini, e o partido Forza Itália, de Silvio Berlusconi, registrava cerca de 45% dos votos nas pesquisas, uma pontuação que deveria render mais de 60% de todas as cadeiras parlamentares.

Mas desde então tem havido especulações generalizadas de que a Liga, sob constante ataque por seus laços historicamente estreitos com o presidente russo, Vladimir Putin, perdeu fôlego, enquanto o Movimento 5 Estrelas, de inclinação à esquerda, avançou.

Somando-se à incerteza, os eleitores vão eleger um Parlamento enxuto, com o número de assentos na Câmara dos Deputados reduzido de 630 para 400, enquanto o Senado vai de 315 para 200 assentos. Isso complica os esforços para prever o resultado.

(Reportagem de Crispian Balmer)