Eleições legislativas iraquianas são marcadas por alta abstenção

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Funcionários eleitorais iraquianos fazem contagem manual de votos em seção eleitoral da cidade de Karbala, em 10 de outubro de 2021 (AFP/Mohammed SAWAF)

As eleições legislativas antecipadas de domingo (10) no Iraque foram marcadas por uma forte abstenção da população, em um país tomado pela corrupção e ameaçado por facções armadas - conforme dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (11).

Após apuração dos resultados de 94% dos centros de votação, a participação nas urnas foi de 41%, informou a Comissão Eleitoral, em um comunicado, acrescentando que "o número de eleitores foi de 9.077.779".

Esta é a quinta eleição no país desde a invasão de 2003 liderada pelos Estados Unidos e que derrubou o ditador Saddam Hussein, com a promessa de restaurar a liberdade e a democracia.

Cerca de 25 milhões de pessoas foram convocadas para escolher entre 3.200 candidatos ao Legislativo iraquiano, composto de 329 membros.

Durante a votação, a chefe da missão de observação da União Europeia (UE), Viola von Cramon, já havia lamentado "uma participação muito fraca".

"É um sinal político claro, e esperamos que os políticos e as elites políticas do Iraque ouçam (este sinal)", comentou Von Cramon.

As eleições estavam previstas para acontecerem em 2022, mas foram antecipadas na tentativa de aplacar os protestos iniciados em 2019 contra a corrupção, os serviços públicos precários e a economia estagnada em um país rico em petróleo.

Os especialistas preveem que os grandes blocos tradicionais manterão sua representação em um Parlamento fragmentado, onde a ausência de uma clara maioria os obrigará a negociar alianças.

- Formação de governo é incógnita -

O futuro do primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al Kazimi, está sujeito ao resultado desta eleição, e poucos observadores se atrevem a antecipar que força conseguirá formar um governo, na esteira das negociações pós-eleitorais entre as facções.

"Saiam para votar. Mudem sua realidade pelo Iraque e por seu futuro", convocou Kazimi, ao votar, no domingo.

Na sequência, tuitou que cumpriu sua promessa de "organizar eleições justas".

A votação foi realizada sob rígidas medidas de segurança, em um país onde os principais blocos parlamentares têm facções armadas e o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) lançou ataques suicidas este ano.

Um ataque atribuído EI em uma seção eleitoral no norte do Iraque matou um policial, relataram fontes de segurança.

Os aeroportos permaneceram fechados, o transporte entre as províncias foi proibido, e os eleitores foram revistados duas vezes antes de entrarem nos centros de votação.

Houve dificuldades técnicas em algumas seções, como problemas com urnas e leitores de impressão digital, de acordo com funcionários e jornalistas da AFP.

"A eleição resultará, provavelmente, em um novo Parlamento fragmentado, seguido de uma negociação pouco transparente e corrupta", escreveram os pesquisadores Bilal Wahab e Calvin Wilder, em uma análise publicada pelo Washington Institute.

O pesquisador iraquiano Sajad Jiyad comentou, por sua vez, que "há uma apatia geral. As pessoas não acreditam que as eleições importam".

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