Eleições locais em Hong Kong batem recorde após três meses de protestos

Por Yan ZHAO, Xinqi SU
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Eleitores esperam para poder votar em Hong Kong, em 24 de novembro de 2019

Os moradores de Hong Kong votavam, neste domingo (24), em número recorde nas eleições locais da ex-colônia britânica, onde o movimento pró-democracia procura aumentar a pressão sobre o governo pró-Pequim deste território semi-autônomo, abalado por protestos sem precedentes desde junho.

Às 15h30 (04h30 de Brasília), faltando sete horas para o encerramento da votação, 47,26% dos inscritos já haviam votado, o que excede a participação total de 47,01% das eleições anteriores de 2015.

Por toda a cidade, longas filas se formaram em frente às assembleias de voto.

Normalmente, essas eleições para eleger 452 conselheiros em 18 distritos, que lidam com questões como coleta de lixo e planejamento urbano, não despertam muito entusiasmo.

Mas esse território vive uma situação excepcional há seis meses e atravessa a pior crise política desde a sua retrocessão para a China em 1997, com manifestações quase diárias e ações cada vez mais violentas para exigir reformas democráticas.

Esses conselhos sempre foram dominados por um bloco de políticos relacionados com Pequim.

E depois de meio ano de protestos nas ruas, os manifestantes pró-democracia querem aproveitar essa oportunidade incomum de se expressar nas urnas para reduzir o domínio pró-Pequim e dar um novo impulso à mobilização.

- "Mudança na sociedade" -

"Espero que essas eleições permitam que sejamos mais ouvidos dentro dos conselhos", disse à AFP Michael Ng, estudante de 19 anos que votou pela primeira vez em sua vida.

"Embora meu voto não seja grande coisa, espero que permita mudanças na sociedade e ajude a apoiar as manifestações", ressaltou.

No total, 4,13 milhões de pessoas de Hong Kong se registraram para votar - de uma população de 7,3 milhões de pessoas - ou seja, 400.000 a mais do que quatro anos atrás.

Essa votação é a mais próxima de uma eleição direta que existe em Hong Kong.

Alguns cientistas políticos acreditam que uma alta participação pode favorecer a causa pró-democracia, que tem feito desta consulta uma espécie de referendo contra a chefe do Executivo local, Carrie Lam, e seu governo pró-Pequim, que rejeitam qualquer concessão aos manifestantes.

"Estamos votando para dar nossa opinião sobre o que acontece (...) Também estamos votando para escolher o que está por vir", disse Jimmy Sham, candidato pró-democracia e uma figura de destaque no movimento de protesto.

Nas últimas semanas, o governo disse que essas eleições seriam adiadas se a violência persistisse nas ruas.

De fato, as manifestações reduziram nos últimos dias, uma estratégia com vista às eleições.

Trata-se, no entanto, de uma trégua relativa, à medida que o cerco da Universidade Politécnica (PolyU) continua, com manifestantes radicais entrincheirados, e que no fim de semana passado foi palco dos confrontos mais violentos com as forças de segurança desde o início dos protestos em junho.

Esta manhã, policiais foram destacados perto de algumas assembleias de voto, mas não em número excessivo. Durante as primeiras horas da votação, nenhum ato violento foi registrado.

"Fico feliz em dizer que temos um ambiente relativamente calmo e pacífico para realizar essas eleições corretamente", disse Lam após votar em seu círculo eleitoral na ilha de Hong Kong.

O movimento de protesto começou em junho em rejeição a de um projeto de lei para autorizar as extradições para a China continental. O texto foi abandonado, mas os manifestantes ampliaram suas exigências, cobrando o sufrágio universal para eleger as autoridades de Hong Kong e uma investigação independente sobre a violência policial.

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