Eleições na Venezuela mantêm hegemonia do chavismo em derrota para oposição fragmentada

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***ARQUIVO***CARACAS, VENEZUELA, 13.09.2019 - O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, durante entrevista à Folha em Caracas, capital da Venezuela. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO***CARACAS, VENEZUELA, 13.09.2019 - O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, durante entrevista à Folha em Caracas, capital da Venezuela. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fragmentada oposição venezuelana sofreu um revés nesta segunda-feira (22), quando os números oficiais das eleições regionais de domingo (21) mostram que o chavismo conquistou 20 dos 23 governos do país, bem como a prefeitura da capital Caracas.

O pleito, que foi o primeiro com a participação de observadores internacionais em 15 anos e também marcou o retorno da oposição, ausente desde 2018, teve participação de somente 41,8% dos eleitores.

Nas últimas regionais, em outubro de 2017, a participação foi de 61%, segundo os dados oficiais. Já nas eleições parlamentares do último ano, o comparecimento foi de 31%. Em 2015, no último pleito considerado livre, 74% dos eleitores participaram.

Entre os estados que agora serão controlados pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), do ditador Nicolás Maduro, está Táchira, na fronteira com a Colômbia, região sensível entre os dois países e tradicionalmente um reduto da oposição. Já uma das três regiões conquistadas pelos adversários do regime é Zulia, estado mais populoso do país.

A derrota da oposição já era esperada por especialistas, mas o mau desempenho foi visto como um indicativo preocupante para as eleições presidenciais de 2024. Luis Vicente León, economista e presidente do Instituto Datanálisis, principal e mais respeitada empresa de pesquisas da Venezuela, afirmou que a alta abstenção (58,2%) e a fragmentação foram os fatores definitivos para os resultados.

"O objetivo buscado pela oposição moderada ao promover a participação nas eleições regionais era validar partidos e líderes e organizar mudanças na própria oposição", escreveu León em uma rede social. "Fica evidente que esse resultado, muito negativo, não alcança esse objetivo."

A oposição ao regime de Maduro está dividida, principalmente, entre as coalizões antichavistas MUD (Mesa de Unidade Democrática) e Aliança Democrática. O presidente do Datanálisis descreve a divisão como um erro lamentável, em especial porque a soma dos votos das duas alianças em todo o país, afirma, mostra que há uma força significativa contra o chavismo.

Diversos opositores, um deles o ex-candidato a presidente Henrique Capriles, afirmaram nesta segunda que, caso unida, a oposição teria votos suficientes para ganhar dez governos, mais que o triplo do que foi conquistado de forma fragmentada.

Tomás Guanipa, candidato da oposição à prefeitura de Caracas, disse que os resultados mostram que é urgente repensar a estratégia adotada até aqui. "O que é inegável é que a grande maioria deste país quer mudanças e é por isso que vamos lutar."

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, não votou e, inicialmente, permaneceu em silêncio. Mais tarde, porém, disse que a oposição deveria se "reconstruir" após o resultado. "Hoje é um momento de reflexão entre as nossas lideranças, não é hora de lutas nem de egoísmo entre os líderes políticos", afirmou.

Nos últimos dias, ele defendeu "unificar a luta" contra Maduro e insistiu em buscar um acordo nas negociações empreendidas pelo regime e a oposição no México, paralisadas desde a extradição aos EUA do empresário colombiano Alex Saab, ligado ao ditador chavista.

Maduro, por sua vez, comemorou o triunfo do regime. "Boa vitória e boa colheita, fruto de um trabalho perseverante", declarou, rodeado de apoiadores do PSUV após o anúncio dos resultados.

Uma morte foi registrada em um tiroteio nas proximidades de um centro de votação em Zulia, mas o ministro do Interior, Remigio Ceballos, afirmou que o incidente foi um fato isolado.

Os locais de votação abriram às 6h (5h em Brasília) em toda Venezuela e deveriam fechar às 18h do horário local, mas o prazo foi prorrogado, o que provocou críticas da oposição. A lei venezuelana afirma que, enquanto houver eleitores na fila para votar, os centros de votação devem permanecer abertos.

A eurodeputada portuguesa Isabel Santos, que chefiou a missão internacional da União Europeia (UE) durante as eleições, disse apenas que o pleito ocorria tranquilamente ao longo do horário de votação.

Para Maduro, os observadores "se comportaram à altura". O retorno de observadores da UE é, segundo analistas, uma das concessões do ditador para tentar encerrar as sanções econômicas das quais o país é alvo, que incluem um embargo petroleiro dos EUA.

Líderes latino-americano aliados de Maduro celebraram a vitória do Grande Polo Patriótico, aliança chefiada pelo PSUV.

Miguel Díaz-Canel, líder da ditadura de Cuba, parabenizou o venezuelano pela "contundente vitória nas eleições regionais na Venezuela". "Vitória chavista, bolivariana e revolucionária do povo venezuelano", escreveu no Twitter.

Luis Arce, presidente da Bolívia, disse que as instituições "uma vez mais priorizaram a superação das diferenças políticas pela via democrática, nas urnas, rejeitando todo tipo de interferência estrangeira".

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, acusou Maduro de "distorcer o processo" para predeterminar o resultado a favor de seu partido. Ele ainda disse que os EUA continuarão apoiando Guaidó e trabalhando com parceiros internacionais para usar "ferramentas diplomáticas e econômicas" para pressionar o governo venezuelano.

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