Eleições nos EUA: ex-astronauta vence no Arizona e deixa democratas mais perto de controlar Senado

Mark Kelly
O democrata Mark Kelly, um ex-astronauta, derrotou o republicano Blake Masters

Os democratas ficaram mais perto de manter o controle do Senado dos Estados Unidos com a projeção de vitória nas eleições no Estado do Arizona neste sábado (12/11).

Três dias depois do pleito, a contagem de votos ainda está em andamento, mas a rede americana CBS estima que o democrata Mark Kelly derrotou seu rival republicano Blake Masters.

Com isso, a contagem de vagas no Senado americano é de 49 assentos democratas e 49 republicanos.

Os resultados em Nevada e Geórgia seguem indefinidos.

A contagem de votos em Nevada é bastante apertada neste momento. Na Geórgia, a disputa será decidida em um segundo turno no mês que vem.

Se os democratas vencerem qualquer uma dessas duas eleições restantes, eles manterão o controle da câmara alta do Congresso, porque os votos de desempate no Senado cabem à vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, que é democrata.

Os republicanos ainda podem assumir o controle da Câmara dos Deputados, já que a apuração ainda está em andamento em diversos lugares. A eleição foi realizada na terça-feira (8/11).

Se os republicanos ganharem uma ou ambas as casas do Congresso, eles poderão frustrar grande parte da agenda legislativa do presidente Joe Biden.

Ex-astronauta

Kelly, um ex-astronauta cuja esposa, Gabby Giffords, sobreviveu a uma tentativa de assassinato quando era parlamentar, foi eleito pela primeira vez no Senado há dois anos para cumprir o restante do mandato de John McCain, que havia falecido.

Em um comunicado, Kelly disse: "Desde o primeiro dia, esta campanha se concentrou em muitos arizonanos, democratas, independentes e republicanos, que acreditam em trabalhar juntos para enfrentar os importantes desafios que temos pela frente".

Blake Masters
Blake Masters foi apoiado pelo ex-presidente Donald Trump

"Isso é exatamente o que fiz nos meus dois primeiros anos no cargo e o que continuarei a fazer enquanto estiver lá."

Seu rival, Blake Masters — de 36 anos e sem experiência política — foi apoiado pelo ex-presidente Donald Trump. Masters se recusou a aceitar os resultados das eleições de 2020 e repetiu falsas alegações de fraude eleitoral agora.

Em um e-mail para seus apoiadores na quinta-feira, a campanha de Masters disse ter visto problemas "preocupantes" durante a eleição e pediu contribuições, segundo o jornal The New York Times.

"Esperamos um caminho adiante cheio de batalhas legais", acrescentou.

O resultado é outra derrota para os republicanos, que esperavam uma "onda vermelha" esta semana — um recado duro para o presidente Joe Biden e os democratas.

Embora o partido republicano tenha obtido ganhos modestos e continue sendo o favorito para ganhar a Câmara dos Deputados, o Senado permanece em aberto, com os democratas tendo um desempenho acima do esperado.

Biden disse que a eleição desta semana foi um "dia bom" para a democracia americana.

Eleição de meio de mandato

As eleições de meio de mandato escolhem os integrantes do Congresso americano, que é formado por duas partes: a Câmara dos Deputados (ou dos Representantes) e o Senado.

O Congresso cria leis em nível nacional. A Câmara decide quais leis são votadas, enquanto o Senado pode bloqueá-las ou aprová-las, confirmar as nomeações feitas pelo presidente e, em raras ocasiões, conduzir investigações contra autoridades.

Essas eleições são realizadas a cada dois anos, e caem sempre na metade do mandato de quatro anos do presidente.

Cada Estado tem dois senadores, que cumprem mandatos de seis anos. Os representantes (ou deputados) ocupam o cargo por dois anos e representam distritos menores.

Todos os assentos na Câmara dos Representantes estavam em disputa nas eleições de meio de mandato, juntamente com um terço do Senado.

Vários Estados importantes também realizaram eleições para seu governador e outros cargos locais.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63608005