Eleições nos EUA têm marcos históricos para mulheres, negros e LGBTQIA+

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo antes de os americanos comparecerem às urnas, as atuais midterms -eleições de meio de mandato que renovam a Câmara e parte do Senado nos Estados Unidos- já eram consideradas históricas em termos de diversidade.

Este foi o pleito com o maior número de candidatas a governos estaduais, com 25 mulheres concorrendo ao posto em 20 estados, em comparação com 16 aspirantes há quatro anos. Também foi a primeira vez em que houve candidatos homossexuais, transgênero e "queer" em todos os 50 estados americanos. Juntos, eles representaram um aumento de 18% nas candidaturas LBTQIA+ em relação a 2020 de acordo com a organização LGBTQ Victory Fund.

À medida que os resultados das urnas são divulgados, essa tendência a ineditismos no campo da representatividade parece ser confirmada. Massachusetts elegeu a primeira governadora abertamente lésbica da história dos EUA, enquanto os estados de Nova York e Arkansas serão pela primeira vez comandados por mulheres; Maryland terá seu primeiro governador negro, o terceiro na história do país; e o Congresso ganhou seu primeiro membro da Geração Z, isto é, nascido depois de 1996.

Analistas creditam a dois fatores a força de candidatos de comunidades em geral subrepresentadas nestas eleições. Um é o crescimento de medidas contra a comunidade LGBTQIA+ em estados governados por republicanos. Outro é a dominância da pauta do aborto sobre o pleito, vista como uma reação dos eleitores uma decisão da Suprema Corte de junho que derrubou o entendimento de que a interrupção voluntária da gravidez era um direito constitucional.

Conheça abaixo alguns dos eleitos que fizeram história nestas midterms:

MAURA HEALEY, GOVERNADORA ELEITA DE MASSACHUSSETS

A democrata e procuradora-geral do estado alcançou dois feitos inéditos: é a primeira governadora abertamente lésbica da história dos EUA, e também é a primeira governadora mulher de Massachusetts -em 2001, Jane Swift chegou ao posto após renúncia do titular. Sua vitória faz com que os democratas retormem o controle do estado após oito anos sob a liderança republicana.

WES MOORE, GOVERNADOR ELEITO DE MARYLAND

O democrata de 44 anos será o primeiro governador negro do estado e o terceiro eleito na história do país -os primeiros foram Douglas Wilder (1990-1994), na Virgínia, e Deval Patrick (2007-2015), em Massachusetts. Com trajetória no mercado de investimentos, ele também é escritor e produtor de televisão e substituirá o popular Larry Hogan, de seu mesmo partido. Moore derrotou o republicano Dan Cox, apoiado pelo ex-presidente Donald Trump e negacionista das eleições de 2020.

SARAH SANDERS, GOVERNADORA ELEITA DO ARKANSAS

Porta-voz da Casa Branca durante o governo Trump, a republicana de 40 anos será a primeira governadora mulher do estado. O triunfo carrega simbolismo, uma vez que ela é filha de Mike Huckabee, que comandou o Arkansas por uma década.

KATHY HOCHUL, GOVERNADORA ELEITA DE NOVA YORK

A democrata de 64 anos havia assumido a comando de Nova York depois que Andrew Cuomo, de quem era vice, renunciar no rastro de acusações de assédio sexual. Eleita com quase 53% dos votos, a advogada se tornou a primeira governadora mulher do estado, tradicionalmente liberal.

MARKWAYNE MULLIN, SENADOR ELEITO POR OKLAHOMA

O deputado republicano de 45 anos é da etnia Cherokee e se tornou o primeiro indígena no Senado em quase duas décadas.

Becca Balint, senadora eleita por Vermont Até a eleição da democrata para o Senado, seu estado, Vermont, era o único dos EUA a jamais ter eleito uma mulher para o Congresso. Balint também é a primeira candidata abertamente homossexual a ser escolhida para representar a unidade federativa.

MAXWELL FROST, DEPUTADO ELEITO PELA FLÓRIDA

O ativista de 25 anos é o primeiro membro da Geração Z, como são conhecidos aqueles nascidos depois de 1996, a ganhar um assento no Congresso.