Eleição do presidente do conselho indica que política do Cruzeiro seguirá quente

Paulo Pedrosa foi eleito presidente do conselho deliberativo do Cruzeiro (Divulgação/Cruzeiro)

Sérgio Santos Rodrigues foi eleito presidente do Cruzeiro, nessa quinta-feira (21), para cumprir o restante do mandato que era de Wagner Pires de Sá, que renunciou ao cargo no fim do ano passado. O resultado não é nenhuma surpresa, afinal de contas o candidato derrotado pelo próprio Wagner, em outubro de 2017, sempre foi considerado favorito diante de Ronaldo Granata, que era vice-presidente na diretoria anterior. Foram 269 votos para Rodrigues e apenas 74 para Granata. Mas foi a eleição que escolheu o presidente do conselho deliberativo que mexeu com a torcida.

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A disputa foi bem mais acirrada. O comerciante Paulo Pedrosa, de 65 anos, venceu com 112, contra 102 de Giovanni Baroni, 99 de Paulo Sifuentes e 34 de Luis Carlos Rodrigues. A proximidade de Paulo Pedrosa com a gestão anterior é o motivo da insatisfação da torcida, de muitos conselheiros e até de membros da atual direção celeste.

Paulo Pedrosa era presidente do conselho fiscal durante o mandato de Wagner Pires de Sá. E não apenas por isso, mas principalmente pelo fato de órgão ter avalizado as contas do primeiro ano da gestão anterior, como publicado no site oficial do Cruzeiro, em agosto do ano passado. Naquele momento o clube já passava por sérias dificuldades financeiras e não estava nada bem dentro de campo.

Para completar, logo após eleito, Paulo Pedrosa questionou o trabalho da Kroll, consultoria que analisou todas as contas do período em que Wagner Pires de Sá ocupou a presidência e apontou muitos absurdos, como gastos em casa de entretenimento adulto. “A tal da Kroll pegou os documentos, mandou para a imprensa, não encaminhou ao Conselho Fiscal, nunca vi isso na minha vida. A partir da semana que vem vamos olhar quanto o Cruzeiro pagou para a Kroll. Quanto? Eu nunca vi fazer uma auditoria em 30 dias”, comentou.

Assim como Sérgio Santos Rodrigues, o mandato de Paulo Pedrosa também será apenas de sete meses, até dezembro deste ano. Pode até parecer loucura, diante de tudo o que passa o clube, mas realmente o Cruzeiro terá novas eleições ainda em 2020. Em outubro os conselheiros vão novamente votar, mas dessa vez para escolher representantes que terão mandatos com três anos de duração.

Embora o tempo no cargo seja curto, caso não seja reeleito, o papel do presidente do conselho deliberativo do Cruzeiro em um momento tão duro da história celeste é crucial. Com um estatuto arcaico, que limita o número de pessoas em condições de concorrer ao cargo de presidente do clube e que facilita a permanência de grupos no poder por um longo período, vide o que acontece no Cruzeiro há quase três décadas, boa parte dos conselheiros e muitos torcedores anseiam pela modernização do regimento.

Por se tratar de um ano eleitoral, o próprio estatuto cruzeirense não permite que sejam feitas grandes alterações. Mas é possível fazer ajustes e preparar a elaboração de um dispositivo de acordo com o futebol atual. Após a escolha de Paulo Pedrosa surgiu a dúvida se esse projeto terá força, como é o desejo do Núcleo Dirigente Transitório, que comandou o clube nos primeiros meses do ano. Tanto que a vitória de Pedrosa desagradou aos membros do conselho gestor. Ao que tudo indica, as correntes políticas do Cruzeiro vão seguir puxando para lados diferentes, como já tem acontecido há algum tempo, e não para um mesmo norte.  

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